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Jiu-Jitsu: Complete Beginner’s Guide

Jiu-Jitsu: Guia Completo para Iniciantes

Você não precisa ser grande e forte para dominar uma luta. O Jiu-Jitsu prova isso – é a arte marcial onde a técnica e a alavancagem permitem que uma pessoa menor supere um oponente maior e mais forte. .

Frequentemente chamada de "arte suave", o Jiu-Jitsu explodiu em popularidade devido à sua eficácia e profundidade. Pronto para descobrir o que torna essa arte de luta agarrada tão especial? Vamos lá.

O que é Jiu-Jitsu?

Jiu-Jitsu é uma arte marcial e esporte de combate focado em luta agarrada e no solo, utilizando imobilizações e alavancas em vez de golpes. O objetivo é levar o oponente ao chão, obter controle e aplicar finalizações (chaves de articulação ou estrangulamentos) até que ele desista.

Na verdade, o termo “Jiu-Jitsu” vem do japonês – significa “suave” e jutsu significa “arte”, então a tradução literal é “arte suave”.

Não se deixe enganar pelo nome. Essa arte "suave" pode ser decisivamente eficaz sem recorrer à força bruta.

O Jiu-Jitsu moderno, especialmente o Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ), enfatiza a técnica em detrimento da força. Ele ensina como usar o tempo, o equilíbrio e o posicionamento para neutralizar um oponente.

Em vez de trocar socos ou chutes, você luta agarrado – clincha, derruba e leva o oponente para o chão, usando posições como a guarda, a montada ou o controle das costas para preparar finalizações.

Um exemplo clássico é usar uma chave de braço ou um estrangulamento para fazer o oponente desistir.

Bem legal para uma arte "suave", né?

História e Evolução

Origens no Japão : O Jiu-Jitsu tem suas raízes no Japão feudal dos samurais. Séculos atrás, os guerreiros samurais precisavam de uma maneira de lutar quando desarmados e em combate corpo a corpo.

Golpear um oponente com armadura não era eficaz, então eles desenvolveram um sistema de arremessos, chaves de articulação e estrangulamentos para derrotar os inimigos usando alavancagem. .

Assim nasceu o Jiu-Jitsu como método de combate desarmado. Com o tempo, centenas de escolas de Jiu-Jitsu (ryū) surgiram no Japão, cada uma com seu próprio estilo.

No final do século XIX, Jigoro Kano sintetizou algumas dessas técnicas no Judô, uma nova arte marcial focada em arremessos e combates com adversários reais.

Jiu-Jitsu: Guia Completo para Iniciantes

Os alunos de Kano (como Mitsuyo Maeda) ainda se referiam a isso como "Kano Jiu-Jitsu" nos primórdios. .

Jornada ao Brasil: A arte japonesa chegou ao Brasil no início do século XX. Em 1914, Mitsuyo Maeda – judoca e pugilista – chegou ao Brasil e começou a ensinar técnicas de Jiu-Jitsu.

Maeda acabou se estabelecendo em Belém e fez amizade com um homem chamado Gastão Gracie. Como forma de agradecimento, Maeda ensinou a arte do Jiu-Jitsu ao filho de Gastão, Carlos Gracie. .

Carlos, por sua vez, ensinou seus irmãos – incluindo Hélio Gracie. Hélio era menor e mais fraco que seus irmãos, o que o obrigou a modificar as técnicas para depender mais da alavancagem e do tempo do que da força. .

Essas adaptações permitiram que uma pessoa mais leve lutasse eficazmente contra oponentes maiores e se tornaram a base do que hoje conhecemos como Jiu-Jitsu Brasileiro.

Nascimento do Jiu-Jitsu Brasileiro: Em 1925, os irmãos Gracie abriram a primeira academia de Jiu-Jitsu no Brasil, ensinando seu estilo de "Jiu-Jitsu Gracie". Eles comprovaram sua eficácia por meio de desafios – lutas sem regras contra boxeadores, lutadores de luta livre e outros artistas marciais.

A luta mais famosa de Hélio Gracie aconteceu em 1951 contra o campeão japonês de judô Masahiko Kimura, diante de 20.000 espectadores.

Hélio perdeu quando seu braço foi quebrado por uma chave de ombro – um golpe agora conhecido mundialmente como “Kimura”, em homenagem àquela vitória. Os testes constantes da família Gracie aprimoraram a arte e construíram sua reputação.

Explosão Global: O Jiu-Jitsu Brasileiro permaneceu um fenômeno brasileiro até a década de 1990, quando explodiu no cenário mundial. O filho de Hélio, Rorion Gracie, mudou-se para os EUA e, em 1993, ajudou a criar o Ultimate Fighting Championship (UFC) como forma de divulgar a arte de sua família. .

Logo no primeiro evento do UFC, o irmão mais novo de Rorion, Royce Gracie, chocou o mundo: um homem relativamente magro, Royce derrotou vários strikers maiores e mais temíveis por finalização, vencendo o torneio com facilidade. Suas vitórias provaram que o conhecimento de Jiu-Jitsu podia superar tamanho e força em uma luta, estimulando um aumento de interesse mundial.

As Artes Marciais Mistas (MMA) se popularizaram e o Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) foi reconhecido como uma habilidade fundamental.

A partir de meados da década de 90, o Jiu-Jitsu Brasileiro se difundiu rapidamente. O primeiro Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu foi realizado em 1996 no Rio de Janeiro, e em 2002 a Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF) foi fundada para organizar o esporte globalmente. .

Na década de 2000, academias de Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) começaram a surgir em todos os continentes. A arte continuou a evoluir com novas técnicas (como o berimbolo e a guarda de lapela) e um cenário competitivo próspero.

Hoje em dia, quase toda cidade tem um lugar para treinar Jiu-Jitsu, e praticantes ao redor do mundo continuam a construir sobre o legado que começou nos campos de batalha do Japão e foi aperfeiçoado nos tatames do Brasil. .

Estilos e Variações

O Jiu-Jitsu não é uma prática única para todos – possui diferentes estilos e conjuntos de regras, cada um com sua própria essência.

Aqui estão algumas variações importantes e como elas se comparam:

Jiu-Jitsu japonês vs. brasileiro

O Jujutsu tradicional japonês (ou Ju-Jitsu) é o ancestral do Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ). Foi desenvolvido para autodefesa e situações de combate, portanto inclui técnicas em pé, projeções e até mesmo golpes, além de imobilizações.

O Jiu-Jitsu brasileiro evoluiu a partir dessas raízes, mas concentra-se fortemente na luta no solo e na competição esportiva. Considere o Jiu-Jitsu japonês como uma arte marcial tradicional para incapacitar um agressor (frequentemente ensinada em um contexto de autodefesa), enquanto o Jiu-Jitsu brasileiro é uma adaptação moderna e esportiva que enfatiza o sparring ("rolagem") e a estratégia posicional.

Ambas compartilham a filosofia da "arte suave", que consiste em usar a força do agressor contra ele, mas o Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) otimizou essas técnicas para duelos individuais no tatame.

Judô x Jiu-Jitsu

Judô e Jiu-Jitsu Brasileiro são como primos próximos. Na verdade, o Jiu-Jitsu Brasileiro surgiu do Judô de Jigoro Kano, através de Maeda.

A principal diferença reside no local da luta. O judô concentra-se em derrubar o oponente no chão com projeções de quadril e varreduras poderosas – um judoca vence por meio de uma projeção limpa ou imobilização, e o trabalho de solo é limitado.

O Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) concentra-se no que acontece após a queda, especializando-se no controle do oponente no chão e na finalização com submissões.

O judô possui técnicas de solo (newaza) e o jiu-jitsu brasileiro (BJJ) também inclui quedas, mas a ênfase é oposta. Além disso, o judô é um esporte olímpico com algumas projeções e pegadas restritas por regras, enquanto o BJJ possui regras de luta agarrada mais permissivas.

Resumindo, "o judô dá grande ênfase aos arremessos... enquanto o jiu-jitsu brasileiro se concentra na luta no chão e nas finalizações". Muitos profissionais se especializam em ambas as áreas para se tornarem mais completos.

Gi vs Sem Kimono:

O Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) pode ser praticado com o tradicional kimono (uniforme) ou sem kimono (no-gi).

Treinar com gi significa usar uma jaqueta e calças de algodão grosso (como um kimono) e um cinto. O gi abre um mundo de possibilidades de pegadas – você pode agarrar a gola ou as mangas do seu oponente para controlá-lo e até usar a lapela para finalizações por estrangulamento. .

O Jiu-Jitsu com quimono tende a ser um pouco mais lento e metódico, já que o tecido cria atrito e os lutadores precisam trabalhar as pegadas e os detalhes da técnica.

O Jiu-Jitsu sem kimono, por outro lado, é praticado com rashguards e shorts (sem uniforme tradicional). Sem tecido para segurar, você depende do controle do próprio corpo. O No-gi costuma ser mais dinâmico, com mais disputas e movimentos explosivos.

Também permite certas finalizações com chave de perna (como chave de calcanhar) que são frequentemente restritas em competições com kimono. Nenhum dos estilos é "melhor" – são apenas desafios diferentes.

Muitos iniciantes começam com o kimono para construir fundamentos sólidos e, em seguida, treinam também sem kimono para ampliar suas habilidades.

Técnicas e regras básicas

O Jiu-Jitsu possui um arsenal de técnicas interessantes e um conjunto único de regras que o diferenciam das artes marciais de combate em pé.

Segue um resumo de como funciona:

Técnicas distintivas: Em vez de socos e chutes, os movimentos característicos do Jiu-Jitsu são quedas, posições e finalizações.

Uma luta (ou combate) geralmente começa em pé: você pode ver uma queda de duas pernas (como um lutador de luta livre) ou um arremesso de judô para levar a luta para o chão.

Uma vez no chão, o objetivo é avançar pelas posições – por exemplo, passando a guarda (pernas) do oponente para o controle lateral, montando-o ou pegando suas costas.

Essas posições proporcionam o controle necessário para finalizar a luta.

As finalizações são o ponto alto; elas se dividem em duas categorias: chaves de articulação (dobrar um membro contra a sua vontade até que o oponente desista) e estrangulamentos (cortar o fluxo sanguíneo/respiratório até que o oponente se renda).

As finalizações clássicas incluem a chave de braço, o triângulo, o mata-leão, a guilhotina, a kimura e as chaves de perna.

Durante o treino, os alunos tocam no oponente ou no tatame para sinalizar que desistem – a segurança vem em primeiro lugar.

Uma finalização bem aplicada está de acordo com a filosofia da arte suave: você pode terminar uma luta sem lesionar seu oponente (desde que ele bata!).

Como vencer: Em torneios de Jiu-Jitsu esportivo, uma luta pode ser vencida por finalização (o oponente bate em desistência) ou, caso não haja finalização, por pontos.

Os pontos são atribuídos ao lutador que demonstrar melhor posicionamento.

Por exemplo, quedas ou projeções que levam o oponente ao chão de costas geralmente valem 2 pontos. Passar a guarda do oponente (contornar suas pernas) vale 3 pontos. Chegar a uma posição dominante, como a montada (sentar sobre o tronco do oponente) ou o controle das costas (ganchar por trás), rende 4 pontos. Raspar o oponente (inverter da guarda inferior para a posição superior) vale 2 pontos. .

A ideia é que essas ações te aproximem de uma finalização, então elas são recompensadas. Se o tempo da luta acabar, quem tiver mais pontos vence. (Em caso de empate, os árbitros podem usar a vantagem de pontos ou tomar uma decisão com base em quem foi mais agressivo.)

É claro que uma finalização limpa a qualquer momento garante a vitória imediata – sem necessidade de pontos. Isso incentiva os lutadores a sempre buscarem a finalização.

Regras e proibições:

Para garantir a segurança, as competições de Jiu-Jitsu possuem regras contra certos movimentos perigosos.

Golpes (socos, chutes, etc.) não são permitidos em competições de Jiu-Jitsu Brasileiro puro – trata-se exclusivamente de luta agarrada. Também não é permitido morder, arrancar os olhos ou puxar o cabelo (jogo sujo de bom senso).

É proibido derrubar o oponente no tatame para escapar de uma finalização. – Você deve usar técnica para sair dessa situação, não força bruta que possa ferir seriamente seu oponente.

Certos golpes de finalização são proibidos em níveis de habilidade mais baixos; por exemplo, chaves de perna com torção, como a chave de calcanhar (que pode lesionar os joelhos), são geralmente ilegais para iniciantes. Manipulação de pequenas articulações (puxar dedos das mãos ou dos pés) também é proibida.

Chaves de pescoço (dobrar a coluna/pescoço) geralmente não são permitidas, a menos que seja um estrangulamento padrão. As regras evoluem com o esporte (recentemente, divisões avançadas começaram a permitir mais chaves de perna no jiu-jitsu sem kimono).

Mas, no geral, a ideia é permitir uma ampla gama de técnicas de luta agarrada, evitando ao mesmo tempo técnicas que possam causar mutilações ou lesões.

O respeito pelos seus parceiros de treino e adversários é fundamental – se alguém bater, você solta imediatamente. Dessa forma, podemos treinar e competir com intensidade máxima sem nos machucarmos.

Equipamentos e vestuário

Uma das grandes vantagens do Jiu-Jitsu é que você não precisa de muitos equipamentos. Os itens essenciais dependem se você treina com ou sem kimono:

Gi

O uniforme tradicional é chamado de gi – um conjunto de jaqueta e calça de algodão grosso, geralmente usado com um cinto que indica sua graduação. É semelhante a um gi de judô ou karatê, mas com corte específico para luta agarrada.

O kimono é feito para ser agarrado e resistir à tensão. No Jiu-Jitsu Brasileiro, o kimono não é apenas uma roupa; é uma ferramenta. Você pode segurar a gola, as mangas ou as calças para controlar seu oponente e até mesmo usar a lapela para estrangulamentos.

(Curiosidade: muitas técnicas de estrangulamento envolvem passar a gola do quimono em volta do pescoço do oponente – sua própria roupa pode se tornar uma arma contra você!)

Um kimono típico de Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) possui uma lapela grossa e costuras reforçadas. Eles são encontrados em algumas cores (branco, azul e preto são as mais comuns – as regras de competição geralmente limitam a essas cores).

Por baixo do quimono, a maioria das pessoas usa uma rashguard ou camiseta para maior conforto, mas em ambientes formais os homens às vezes ficam sem camisa por baixo do paletó.

Além do próprio kimono, o cinto é importante – ele mantém o casaco fechado e indica sua graduação por meio de cores (falaremos mais sobre o sistema de graduação a seguir).

Traje sem kimono

Para aulas ou competições sem kimono, o traje é mais parecido com o que se vê no wrestling.

Geralmente, trata-se de uma rashguard (camiseta esportiva de elastano) e shorts ou calças de compressão para luta agarrada . Basicamente, roupas justas que não rasguem ou enrosquem em algo.

Em eventos oficiais de grappling sem kimono, alguns organizadores exigem rashguards com graduação (com marcações de cores para indicar se você é iniciante, intermediário, etc.), mas na academia qualquer roupa esportiva que não seja larga serve. É importante evitar roupas folgadas, pois os dedos das mãos ou dos pés podem ficar presos e você não tem um kimono para segurar. Além disso, praticantes de grappling sem kimono costumam usar menos fita nos dedos (já que não há pegadas na manga) e dependem mais do controle do corpo e das pegadas nos membros ou no pescoço. .

Equipamento de proteção

O Jiu-Jitsu Brasileiro não exige muita proteção, mas alguns equipamentos opcionais podem ajudar.

O uso de protetor bucal é altamente recomendado – acidentes acontecem e você não quer que uma cotovelada ou uma cabeçada acidental arranque um dente durante o treino.

Protetores de orelha (capacete) podem ser usados ​​para prevenir a orelha de couve-flor (aquela protuberância na orelha do lutador causada pelo atrito), embora não sejam muito comuns em academias de Jiu-Jitsu em comparação com salas de luta livre.

O uso de protetores genitais é um tema controverso; algumas academias permitem, outras não.

Competições importantes (como a IBJJF) proíbem protetores genitais rígidos, sob a alegação de que eles podem machucar outros praticantes ou serem usados ​​para aplicar estrangulamentos. A maioria das pessoas treina sem protetores e simplesmente aprende a ter cuidado para evitar golpes baixos.

Joelheiras ou tornozeleiras são usadas por alguns praticantes de grappling com problemas nas articulações, e fita adesiva para os dedos se torna uma grande aliada quando você começa a usar muito a pegada (ela dá suporte às pequenas articulações).

Mas, como iniciante, você só precisa de um kimono ou rashguard/shorts e já está pronto para treinar. Simplicidade é a chave.

Sistema de Patentes e Progressão

Assim como muitas artes marciais, o Jiu-Jitsu utiliza um sistema de faixas para acompanhar seu progresso – mas esteja avisado, o sistema de faixas do Jiu-Jitsu é notoriamente rigoroso e lento.

Diferentemente de algumas artes marciais em que se pode obter a faixa preta em 3 a 5 anos, no Jiu-Jitsu pode levar uma década ou mais para atingir esse nível de maestria. .

Isso é ótimo – cada faixa no Jiu-Jitsu Brasileiro realmente significa algo e é respeitada.

Para adultos (a partir de 16 anos), as cores das faixas no Jiu-Jitsu Brasileiro são:

  1. Branco
  2. Azul
  3. Roxo
  4. Marrom
  5. Preto.

Todos começam na faixa branca, como uma folha em branco.

Como faixa branca, você passará muito tempo aprendendo o básico e se virando no tatame. Em alguns anos (em média) de treino consistente, você poderá ser promovido à faixa azul – isso significa que você construiu uma base sólida e consegue se defender.

A transição da faixa azul para a roxa pode levar mais alguns anos; um aluno de faixa roxa é considerado avançado e possui um profundo conhecimento da arte (frequentemente, os faixas roxas começam a desenvolver seu estilo pessoal ou "jogo").

Da faixa roxa para a faixa marrom, o salto é significativo, pois nela você aprimora todos os aspectos e se prepara para se tornar um atleta de elite.

Por fim, a cobiçada faixa preta no Jiu-Jitsu Brasileiro simboliza um verdadeiro especialista – alguém que consegue ensinar e aplicar o Jiu-Jitsu em alto nível.

Toda a jornada costuma abranger de 8 a 12 anos de treinamento árduo (sendo 10 anos uma média comumente citada). .

É claro que existem exceções – alguns fenômenos conseguiram isso mais rápido, especialmente se já tinham experiência em luta agarrada, mas isso é raro. Por exemplo, BJ Penn ficou famoso por conquistar sua faixa preta em apenas 3 anos e 4 meses , um dos tempos mais rápidos já registrados.

Mais uma coisa sobre a graduação no Jiu-Jitsu: não há testes ou currículo padronizados em todas as academias (ao contrário de algumas artes marciais com exames formais).

As promoções geralmente ficam a critério do instrutor, com base em fatores como habilidade, capacidade de luta, tempo dedicado ao treinamento e, às vezes, desempenho em competições ou contribuição para o ensino.

Você não vai ganhar uma nova faixa só por comparecer a um número determinado de aulas – você precisa se esforçar e realmente evoluir no seu jogo.

Onde e como o Jiu-Jitsu é praticado

Campos de Treinamento

Você pode praticar Jiu-Jitsu em diversos locais, mas o mais comum é em uma academia ou ginásio de Jiu-Jitsu. Esses locais geralmente possuem tatames acolchoados (para amortecer quedas) e espaço para que duplas de praticantes treinem.

As aulas normalmente incluem aquecimento, exercícios de técnica e, em seguida, sparring (rolamento livre).

O Jiu-Jitsu possui uma comunidade muito internacional – você encontrará academias na América do Norte e do Sul, Europa, Ásia, Austrália e em muitos outros lugares.

Algumas são escolas independentes de Jiu-Jitsu brasileiro, enquanto outras fazem parte de academias de MMA ou dojos de artes marciais tradicionais que adicionaram programas de Jiu-Jitsu.

Um instrutor qualificado (frequentemente faixa preta) guiará os alunos pelo programa de treinamento. O ambiente costuma ser bastante descontraído e divertido – você poderá treinar com pessoas de todos os tipos: estudantes universitários, engenheiros, médicos, militares e até avós.

Nos tatames, todos são iguais, no sentido de que você deixa seu ego de lado e aprende treinando golpes uns nos outros e compartilhando conhecimento.

Aulas e Rolamentos

O Jiu-Jitsu é único porque o sparring (rolagem) é uma parte fundamental do treinamento desde o início.

Em quase todas as aulas, você testará suas técnicas sob pressão contra parceiros que oferecem resistência total. Esse treinamento prático é o que torna o Jiu-Jitsu tão eficaz, além de ser um ótimo exercício!

Numa aula, você pode ser colocado em dupla com alguém do seu tamanho, ou às vezes com alguém muito maior ou menor – ambas as situações ensinam lições diferentes.

Muitas academias também oferecem sessões de treino livre, onde qualquer pessoa pode vir treinar livremente, e você frequentemente terá a oportunidade de lutar com pessoas de outras academias, o que amplia sua experiência.

Formatos de competição

A competição de Jiu-Jitsu geralmente ocorre em um tatame, em uma área delimitada por um ringue.

Dois competidores lutam por um tempo determinado (normalmente de 5 a 10 minutos, dependendo da classificação), tentando finalizar um ao outro ou marcar pontos através de posições superiores.

As competições geralmente seguem o formato de torneio: chaves por categoria de peso, gênero e nível de experiência (faixas brancas lutam contra faixas brancas, faixas azuis contra faixas azuis, etc., para manter a igualdade). Alguns eventos focam em divisões com kimono (gi), outros em divisões sem kimono (no-gi), e muitos oferecem ambas.

A atmosfera em um torneio de Jiu-Jitsu é eletrizante – você verá lutas que variam de partidas lentas e estratégicas, como um xadrez, a disputas acirradas que terminam em chaves de braço voadoras.

Para os praticantes, competir é opcional, mas altamente recomendado se você quiser se testar. Ganhe ou perca, você aprenderá muito em cada partida.

Além do Dojo

As técnicas de Jiu-Jitsu também são praticadas em ambientes de artes marciais mistas – um lutador de MMA utiliza o Jiu-Jitsu no chão durante lutas em um octógono ou ringue.

No entanto, as competições de Jiu-Jitsu puro geralmente acontecem em tatames abertos (não em gaiola) e sem golpes. Também existem eventos especializados em finalizações, onde não há pontuação, apenas limite de tempo – se ninguém finalizar, alguns têm prorrogação com juízes ou "pontuação de ouro", ou termina em empate.

Esses eventos, como o Eddie Bravo Invitational (EBI) ou o Polaris, geralmente permitem mais tipos de finalização e podem ser muito emocionantes para os espectadores, porque os atletas assumem mais riscos quando não há pontos em jogo.

Organizações, equipes e torneios

O crescimento do Jiu-Jitsu foi impulsionado por grandes organizações e equipes lendárias que estabeleceram os padrões competitivos. Aqui estão alguns dos grandes nomes que você precisa conhecer:

Principais organizações

A Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro ( IBJJF ) é a maior entidade reguladora do Jiu-Jitsu esportivo em todo o mundo.

Fundada por Carlos Gracie Jr. na década de 1990, a IBJJF organiza muitos dos maiores torneios do mundo, incluindo o Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu (Mundiais) , o Campeonato Pan-Americano e o Aberto Europeu. De acordo com as regras da IBJJF (que a maioria dos torneios de kimono seguem), você tem as divisões de faixa, o sistema de pontos e os requisitos de uniforme de kimono já conhecidos.

A IBJJF ajudou a padronizar as regras de competição e a elevar o nível de profissionalismo no esporte.

Para o grappling sem kimono, a competição mais prestigiosa é o Campeonato Mundial do ADCC (Abu Dhabi Combat Club) . O ADCC acontece a cada dois anos e é amplamente considerado o torneio de luta de submissão sem kimono mais importante do mundo. .

O evento atrai os melhores lutadores de Jiu-Jitsu Brasileiro, luta livre, judô, sambo, etc., tornando-se uma verdadeira "Olimpíada da luta agarrada". Ganhar o ouro no ADCC significa que você é literalmente um dos melhores do planeta.

As regras do ADCC diferem das da IBJJF – permitem uma gama maior de técnicas (chaves de calcanhar, por exemplo) e possuem um sistema de pontuação único que só entra em vigor após um período inicial de finalizações. Campeões como Marcelo Garcia, André Galvão e Gordon Ryan se tornaram lendas aqui.

Além da IBJJF e do ADCC, existem outras organizações notáveis: a Federação de Jiu-Jitsu dos Emirados Árabes Unidos organiza anualmente o Campeonato Mundial Profissional de Jiu-Jitsu de Abu Dhabi (World Pro), que oferece grandes prêmios em dinheiro e atrai talentos internacionais.

Muitos países também possuem suas próprias federações e campeonatos nacionais. Existem eventos profissionais por convite, como Polaris, Who's Number One, GrappleFest e outros, onde os melhores lutadores são pagos para competir em superlutas.

E, claro, em organizações de MMA como o UFC e o ONE Championship , o Jiu-Jitsu brasileiro é onipresente.

Hoje em dia, embora os lutadores de MMA precisem ser completos, um jogo de chão de alto nível ainda costuma ser o fator decisivo.

O ONE Championship até começou a realizar lutas de grappling puro em seus eventos (com campeões como Mikey Musumeci mostrando o Jiu-Jitsu Brasileiro para um público global). .

Melhores equipes e academias

Ao longo dos anos, certas academias ascenderam ao domínio nas competições, tornando-se verdadeiras fábricas de campeões mundiais.

A Gracie Barra , fundada por Carlos Gracie Jr., é uma das maiores equipes do mundo, com centenas de escolas afiliadas – é comum ver a Gracie Barra no topo da classificação por equipes em torneios.

A Alliance Jiu-Jitsu (cofundada por Romero “Jacaré” e Fabio Gurgel) conquistou inúmeros títulos mundiais por equipes e revelou lendas.

A Nova União , uma equipe brasileira, deixou sua marca produzindo campeões em categorias de peso mais leves (e também ficou famosa no MMA por meio de lutadores como BJ Penn e José Aldo).

Outras equipes de grande destaque incluem a Atos Jiu-Jitsu (liderada por André Galvão, conhecido por inovar em técnicas modernas), CheckMat, GF Team, Gracie Humaitá (linhagem original de Hélio), Carlson Gracie Team e superequipes de competição mais recentes, como a DreamArt.

Existem também academias renomadas como a Renzo Gracie Academy em Nova York, a Alliance HQ em São Paulo, a Art of Jiu Jitsu (AOJ) na Califórnia, etc., que atraem alunos de todo o mundo.

Mesmo no mundo do MMA, equipes reconhecidas por seu grappling incluem academias como American Top Team (ATT), Kings MMA, Nova União (novamente) e AKA, onde treinadores de Jiu-Jitsu garantem que os lutadores dominem as finalizações. É significativo que até mesmo uma academia focada em trocação como a Tiger Muay Thai, na Tailândia, agora ofereça aulas de Jiu-Jitsu – o grappling de alto nível se tornou um componente essencial do treinamento de luta em todo o mundo.

Torneios de prestígio

Se você é um entusiasta do Jiu-Jitsu Brasileiro, alguns eventos são imperdíveis todos os anos.

O Campeonato Mundial da IBJJF (Mundial), geralmente realizado na Califórnia, é essencialmente o Super Bowl do Jiu-Jitsu com kimono – divisões por categorias de peso para todas as faixas, culminando em finais de faixa preta que frequentemente exibem a evolução do esporte.

Há também o Pan-Americano da IBJJF, o Campeonato Europeu, o Brasileiro e muitos campeonatos regionais. No Jiu-Jitsu sem kimono, o Mundial da ADCC (a cada dois anos) é o principal, como já mencionado.

Além disso, o Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu Sem Kimono da IBJJF é realizado anualmente.

Alguns torneios independentes também ganharam prestígio: o EBI (Eddie Bravo Invitational) popularizou um formato de luta apenas por finalização, com prorrogação e disputas acirradas. O Polaris, no Reino Unido, e o Fight 2 Win, nos EUA, oferecem eventos profissionais empolgantes.

Para iniciantes, existem inúmeros torneios locais (NAGA, Grappling Industries, eventos Open da IBJJF em várias cidades, etc.) onde você pode começar a praticar. E se você só quer assistir a lutas de Jiu-Jitsu de alto nível,

O YouTube e serviços de streaming (como o FloGrappling) transmitem muitas dessas grandes competições, permitindo que você acompanhe seus atletas e equipes favoritos.

Lutadores e personalidades notáveis

O Jiu-Jitsu tem a sua quota de estrelas – desde lutadores lendários que desenvolveram a arte, a campeões modernos, até entusiastas famosos que lhe trouxeram ainda mais destaque.

Aqui estão cinco figuras notáveis ​​que todo fã de Jiu-Jitsu Brasileiro deveria conhecer:

  • Hélio Gracie – Um dos fundadores do Jiu-Jitsu Brasileiro. De baixa estatura, ele modificou o jiu-jitsu clássico para priorizar a alavancagem e o tempo, permitindo que lutadores mais fracos vencessem os mais fortes. Através de inúmeros desafios, ele provou seu estilo e ensinou uma geração de alunos. Chamado de pai do Jiu-Jitsu Gracie, sua influência permanece viva na guarda, no foco na defesa e na mentalidade de priorizar a técnica em detrimento da força.
  • Royce Gracie – filho de Hélio, que apresentou o Jiu-Jitsu Brasileiro no UFC 1 em 1993. Escolhido por seu físico modesto, ele finalizou oponentes maiores com estrangulamentos e chaves para vencer o torneio. Seu domínio sereno obrigou o mundo das artes marciais a respeitar a luta de solo e o tornou uma lenda, ainda citado sempre que um lutador menor vence com técnica.
  • Roger Gracie – Muitas vezes considerado o maior competidor de Jiu-Jitsu. Dez vezes campeão mundial na faixa preta, incluindo três títulos absolutos, venceu muitas finais com técnicas básicas como o estrangulamento cruzado. Em 2005, finalizou todos os seus oito oponentes, um feito histórico. Neto de Hélio, Roger provou que a técnica clássica ainda vence.
  • Gordon Ryan – Dominante lutador americano de grappling sem kimono, multicampeão do ADCC, apelidado de “Rei Gordon”. Conhecido por suas chaves de perna, estrangulamentos e uma abordagem sistemática influenciada por John Danaher, ele ajudou a popularizar as chaves de perna no Jiu-Jitsu. Com uma personalidade confiante e controversa, ele ainda é amplamente considerado o melhor lutador de grappling sem kimono da atualidade.
  • Mark Zuckerberg – fundador da Meta que surpreendeu muitos ao competir em seu primeiro torneio de Jiu-Jitsu Brasileiro em 2023, conquistando ouro e prata nas categorias iniciantes. Fotos dele aplicando chaves de braço em oponentes viralizaram, aumentando a atenção do público em geral para o Jiu-Jitsu. Ele continua treinando, juntando-se a outros praticantes famosos como Tom Hardy na popularização da arte.

Cultura, Cultura Pop e Difusão

O Jiu-Jitsu não é apenas um esporte ou uma arte marcial – é uma cultura com sua própria essência, que vem se consolidando na cultura popular em todo o mundo.

Mídia e Cinema

Ao longo das últimas décadas, o Jiu-Jitsu brasileiro fez inúmeras aparições em filmes, na televisão e em outras mídias – frequentemente como referências sutis reconhecidas pelos fãs.

No início da carreira, os filmes da série Máquina Mortífera (anos 80) contavam com a participação do coreógrafo Rorion Gracie, que incluiu uma finalização com chave de braço/triângulo.

No filme Flashpoint (1998), um jovem Donnie Yen exibiu movimentos de Jiu-Jitsu Brasileiro em um filme de ação de Hong Kong, o que foi revolucionário na época.

Avançando no tempo, temos filmes como John Wick (estrelado por Keanu Reeves) que apresentam técnicas de Jiu-Jitsu Brasileiro e Judô em grande escala. Keanu, treinado pelos irmãos Machado, executa chaves de braço, estrangulamentos e transições que fazem os praticantes de luta na plateia sorrirem de orelha a orelha. .

A coreografia das lutas nesses filmes provavelmente aumentou o interesse em aprender Jiu-Jitsu Brasileiro (quem não quer lutar como John Wick?).

Até mesmo desenhos animados e comédias fazem referência ao Jiu-Jitsu Brasileiro; por exemplo, Os Simpsons tinham uma piada em que um personagem se coloca na guarda e diz: "Eu domino o Jiu-Jitsu Brasileiro, rasteje por cima de mim e encontre seu fim!" – zombando da posição de guarda. .

Nos quadrinhos da Marvel, existe um super-herói (a Cobra Gorda de K'un-Lun) que se gabava de treinar com os Gracies.

Nos jogos eletrônicos, a série UFC inclui técnicas de Jiu-Jitsu Brasileiro (BJJ) em seu sistema de luta agarrada, e personagens em jogos como Tekken e Street Fighter têm movimentos claramente inspirados no Jiu-Jitsu (por exemplo, alguns arremessos e finalizações).

Mídia Notável

Um documentário imperdível para os fãs de Jiu-Jitsu é "Choke" (1999), que acompanha Rickson Gracie durante o torneio Vale Tudo Japan de 1995. Ele oferece um olhar íntimo sobre um Gracie se preparando para lutas sem regras e apresenta algumas reflexões filosóficas que se tornaram icônicas (a famosa frase de Rickson "fluir com o movimento" sobre se adaptar às situações).

Outro documentário, “Roll: Jiu-Jitsu in SoCal”, explora a cultura do Jiu-Jitsu Brasileiro. Há também “Jiu-Jitsu VS The World” (2016), um documentário gratuito no YouTube que entrevista muitos nomes importantes sobre o impacto do Jiu-Jitsu Brasileiro.

Em longas-metragens, "Redbelt" (2008), dirigido por David Mamet, gira em torno de um instrutor de Jiu-Jitsu Brasileiro que se vê diante de um dilema moral em relação à competição – um drama que presta uma homenagem respeitosa à essência da arte marcial.

Mais recentemente, o ator e faixa preta de Jiu-Jitsu Brasileiro Guy Ritchie dirigiu "The Gentlemen" (2019), que contém uma cena demonstrando uma chave de braço em um capanga (não é coincidência, vindo do diretor, conhecido por suas chaves de braço).

No que diz respeito aos influenciadores, os podcasts e o YouTube têm sido fundamentais para a difusão do esporte. Joe Rogan, faixa preta de Jiu-Jitsu e comentarista do UFC, fala frequentemente sobre Jiu-Jitsu em seu podcast extremamente popular, evangelizando a arte para milhões de ouvintes.

Existem podcasts dedicados ao Jiu-Jitsu (como “Rear Naked Radio”, “The BJJ Fanatics Podcast”, etc.) e canais no YouTube que explicam técnicas ou mostram os melhores momentos de torneios. As redes sociais estão repletas de vídeos e memes sobre técnicas de Jiu-Jitsu – desde contas que compartilham dicas de grappling até aquelas que satirizam a cultura do Jiu-Jitsu (já viu a tirinha “Jiu-Jitsu Dummies” ou memes sobre como todo praticante de Jiu-Jitsu não para de falar sobre a arte? Confesso!).

Efeito Celebridade

Como mencionado, celebridades de diversas áreas adotaram o Jiu-Jitsu, o que o divulga ainda mais para um público amplo.

Conversamos sobre Mark Zuckerberg e Tom Hardy.

Adicione a essa lista: os atores Ashton Kutcher (faixa marrom), Jason Statham (faixa roxa), Russell Brand (faixa roxa), o diretor Guy Ritchie (faixa preta sob a tutela de Renzo Gracie), o comediante Joey Diaz (faixa azul, mas um defensor apaixonado), o astro da WWE Dave Bautista (faixa roxa, creio eu), e a lista continua crescendo.

Quando essas pessoas aparecem em programas de entrevistas ou postam fotos no Instagram usando seus quimonos, isso desperta a curiosidade de seus fãs sobre o Jiu-Jitsu. Tornou-se quase uma moda em Hollywood treinar Jiu-Jitsu para manter a forma física e para autodefesa.

Até o Príncipe William teria se aventurado na prática e foi visto em um seminário da academia Renzo Gracie – então o Jiu-Jitsu Brasileiro chegou até à realeza!

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