Calças de compressão de jiu-jitsu apertam a perna de propósito, e a primeira decisão de compra é quanta pressão você quer sentir durante uma hora e meia de treino. Compressão média é o que a maioria dos alunos usa sem pensar no assunto: a peça fica firme, não desliza e você esquece que está vestindo. Compressão alta, aquela que custa a subir na coxa na hora de vestir, agrada quem faz dois treinos no mesmo dia e sente a perna pesada no fim da semana. Só que tem limite. Apertado demais formiga o pé em treino longo e incomoda quando você fica preso numa meia-guarda por três minutos seguidos. Na dúvida, fique na média.
A gramatura do tecido explica quase toda a diferença de preço entre uma peça e outra. Uma malha em torno de 200 gramas por metro quadrado aguenta o atrito do tatame e não afina no joelho depois de seis meses de uso. Uma malha mais leve treina bem mais fresca no calor brasileiro, e para academia sem ar-condicionado isso conta muito, só que dura menos. O elastano é a outra metade da conta. Pouco elastano e a peça não volta ao formato depois de esticar; muito elastano e ela esquenta e perde firmeza mais rápido em contato com o suor. A faixa das peças boas costuma ficar perto de 20 por cento, e o que muda de verdade é a qualidade do fio, não só o número impresso na etiqueta.
O gancho é onde a peça morre. Quase toda calça de compressão de jiu-jitsu que rasga, rasga ali, na junção das costuras entre as pernas, porque é o ponto que sofre abertura de guarda, triângulo e passagem ao mesmo tempo. Um gancho reforçado, com um painel em losango costurado no lugar do cruzamento simples, resolve isso, e é o detalhe que separa uma peça barata de uma que dura anos. Vale procurar a foto do avesso antes de fechar a compra. Se a marca não mostra a costura interna, normalmente é porque não tem nada de interessante para mostrar.
A cintura decide se a peça fica no lugar. Cós largo com cordão interno segura quando alguém monta e puxa; cós de elástico simples rola para baixo no quadril assim que o treino fica pesado. Sobre o comprimento, o padrão vai até o tornozelo, e faz sentido para quem joga guarda, porque a perna inteira fica coberta. Três quartos, parando abaixo do joelho, é opção real no verão e para quem treina mais em pé. Escolha três quartos se o seu problema é calor, porque a canela livre respira muito melhor. Escolha o comprimento inteiro se você passa o treino todo no chão.
No gi, a peça fica escondida embaixo da calça do kimono e serve para tirar o atrito do tecido grosso da pele. No no-gi ela é a roupa mesmo, e na maioria das academias brasileiras ninguém implica com isso. A diferença prática entre os dois usos é menor do que parece; o que muda mesmo é a cor, porque peça clara marca suor e amarela com o tempo, enquanto a escura disfarça. Sendo direto: se você treina só de kimono e a calça do kimono já cobre a perna inteira, o ganho é pequeno e o seu dinheiro rende mais num kimono melhor ou numa faixa decente.
Sobre lavagem, quem treina sabe: a peça precisa sair da mochila no mesmo dia. Malha sintética suada dentro de uma bolsa fechada por doze horas cria um cheiro que não sai mais, e esse processo ataca o elastano tanto quanto água quente. Lave em água fria, do avesso, e seque na sombra. Uma última coisa que ninguém comenta na loja: compressão graduada, aquela que aperta mais no tornozelo e vai afrouxando na coxa, foi pensada para circulação e faz mais diferença em quem treina duas vezes no mesmo dia do que em quem treina três vezes por semana. Se você é do primeiro grupo, vale procurar. Se é do segundo, uma malha comum de boa gramatura já entrega o que você precisa.