O erro mais comum ao escolher meias fightwear para o boxe é calçar uma meia grossa e comum dentro de uma bota de cano alto, achando que mais acolchoamento é sempre melhor. Essa meia grossa, na prática, amontoa dentro do cabedal rígido da bota e cria dobras exatamente onde a bolha vai aparecer depois de alguns rounds de sacola ou aparelho. O ideal para bota de boxe ou kickboxing é uma meia mais fina, de compressão, que acompanha o formato do pé sem sobrar tecido no calcanhar ou no peito do pé. Já para quem treina no-gi ou MMA sem calçado, a lógica muda completamente: ali o que importa é a sola com grip de silicone, não o acolchoamento, porque o pé fica descalço em contato direto com o tatame o treino inteiro. Uma costura lisa na ponta do dedão também faz diferença depois de uma hora de raspagem, já que uma costura grossa vira um ponto de atrito que ninguém nota até o treino acabar.
Escolha uma meia com sola de silicone se seu treino é majoritariamente no-gi ou MMA em tatame compartilhado, porque o grip evita escorregões durante trocas de nível e passagens de guarda, principalmente quando o tatame esquenta e fica levemente úmido de suor depois de quarenta minutos. Prefira uma meia de compressão sem grip se o treino é dentro de bota, já que ali o que protege contra bolha é o corte e o ajuste, não a sola emborrachada. Compare as duas opções se você mistura Muay Thai ou kickboxing com sessões de jiu-jitsu na mesma semana, porque cada modalidade cobra um tipo de meia diferente e usar só um par para tudo tende a falhar em pelo menos uma das duas situações. Academias que treinam muita queda e clinch, como MMA e wrestling, costumam preferir o cano mais alto pelo mesmo motivo das botas: uma meia baixa escorrega bem no meio de uma entrada de perna.
Em competições de no-gi, meias para jiu-jitsu com grip nem sempre são permitidas dependendo do regulamento do evento, e isso pega muita gente de surpresa no dia da pesagem ou da chamada para a luta. Quem compete faz bem em treinar às vezes descalço também, sem depender cem por cento da meia, porque nem todo campeonato aceita o mesmo equipamento que o gym libera no treino diário. Vale a pena checar o regulamento da organização antes de contar com a meia como parte fixa do kit de competição, de preferência com alguns meses de antecedencia e não na véspera do evento.
O material da meia fightwear muda bastante o resultado no treino. Uma mistura de poliéster ou náilon seca mais rápido que o algodão puro e ajuda no controle de odor, o que importa em qualquer academia onde várias pessoas dividem o mesmo tatame todos os dias. O algodão puro ainda é uma opção válida para quem treina uma ou duas vezes por semana e não se importa tanto com secagem rápida, mas em treinos frequentes ele costuma ficar úmido por mais tempo e perder o formato depois de algumas lavagens. Duas ou três meias na mochila resolvem a maior parte desse problema para quem treina em dobradinha, manhã e noite no mesmo dia.
A meia fightwear sintética não é ideal para quem tem alergia ou sensibilidade a tecidos sintéticos e prefere abrir mão da secagem rápida em troca de algodão puro, mesmo sabendo que vai precisar trocar de meia com mais frequência durante o treino. Existe também uma troca real entre durabilidade e toque no tatame: uma meia mais grossa dura mais tempo porque resiste melhor ao atrito repetido, mas uma meia mais fina dá mais sensibilidade para sentir a base e o equilíbrio durante uma raspagem, o que muitos competidores de jiu-jitsu preferem apesar de gastar o par mais rápido.
O tamanho da meia fightwear costuma seguir o comprimento do pé em centímetros, não o número do tênis ou da bota, e usar só o número do calçado como referência é como a maioria acaba comprando o tamanho errado. Um par bem ajustado trabalha a favor do pé, seja dando grip no tatame ou ficando no lugar dentro de uma bota de cano alto durante um treino inteiro de aparelho.