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Lutadores

Canelo Álvarez: Career Record, Losses and Every Fight Listed

Canelo Álvarez: cartel completo, altura, peso e títulos

Existe um número que resolve quase toda discussão sobre Canelo Álvarez antes que ela comece: 68 lutas profissionais. Não 68 vitórias, como aparece em várias páginas de estatística mal alimentadas, mas 68 combates ao longo de vinte e um anos, contra praticamente todo mundo que valia a pena enfrentar entre 154 e 175 libras. O cartel que sai disso é 63-3-2. Saúl "Canelo" Álvarez é um boxeador profissional mexicano nascido em Jalisco no dia 18 de julho de 1990, campeão mundial em quatro categorias e o primeiro campeão indiscutível dos supermédios na era dos quatro cinturões. Estreou como profissional aos quinze anos e seu cartel, conferido em 1º de setembro de 2026, é de 63 vitórias, 3 derrotas e 2 empates, com 39 triunfos antes do tempo. Ele continua na ativa. Esta página junta o que costuma estar espalhado: a lista completa das 68 lutas, as súmulas dos juízes nos combates apertados, os valores financeiros com o nome de quem os publicou, e a explicação técnica de por que cada resultado saiu como saiu. Onde as fontes divergem, e na altura dele elas divergem de verdade, as duas versões aparecem. Canelo Álvarez perdeu os quatro cinturões dos supermédios para Terence Crawford por decisão unânime em 13 de setembro de 2025, em Las Vegas, e desde então não voltou ao ringue. Em 1º de setembro de 2026 ele não tem nenhum título mundial, encerrando um reinado que havia começado em novembro de 2021. Aos 36 anos, nunca foi nocauteado nem foi ao chão como profissional em 68 combates. Canelo Álvarez em números Dados de carreira e físicos verificados de Saúl Álvarez, atualizados em 1º de setembro de 2026. Cartel 63-3-2 (W-L-D) 39 KO Situação Ativo Apelido Canelo Categoria Do meio-médio ligeiro ao meio-pesado Nacionalidade 🇲🇽 México Idade 36nascido em 18 de julho de 1990 Altura 171 cm 5 pés e 7½ polegadas Peso 76.2 kg 168 lb (limite dos supermédios) Estreia profissional 29 de outubro de 2005 Anos em atividade 2005 até o presente 21 anos Equipe Canelo Team, San Diego Redes @canelo Equipamento de Boxe De Tonalá para o mundo: a infância e o boxe em casa Santos Saúl Álvarez Barragán é o caçula de oito filhos de Santos Álvarez e Ana María Barragán, casal vindo de Michoacán que se estabeleceu em Jalisco vendendo picolés e bebidas geladas no Mercado de San Juan de Dios e no transporte público da região metropolitana de Guadalajara. O local exato do nascimento tem três versões publicadas por fontes confiáveis e nenhuma maneira de fechar a conta. A Premier Boxing Champions, plataforma que transmitiu lutas dele, registra Guadalajara. A CNN en Español aponta Tlajomulco de Zúñiga, com criação em San Agustín. A Forbes, numa reportagem sobre as empresas dele, escreve que foi criado em Juanacatlán, cerca de trinta quilômetros a sudeste de Guadalajara. Todas concordam em Jalisco e no mesmo entorno urbano. Divergem no ponto do mapa. O apelido veio do cabelo. Canelo é canela em espanhol, e a alcunha grudou pelo tom ruivo, pela pele clara e pelas sardas, primeiro entre os vizinhos e depois na academia. Numa família mexicana de oito filhos, aquilo virava identificação permanente antes de virar marca. O ponto que explica quase tudo é que ele foi o último da casa a subir num ringue, não o primeiro. Sete irmãos Álvarez lutaram boxe profissionalmente e, em 28 de junho de 2008, em Zapopan, os sete apareceram no mesmo evento. O Guinness World Records certificou o feito como o maior número de irmãos a lutar num único card profissional. Rigoberto, o mais velho entre os que boxearam, foi o que chegou mais perto de um título mundial antes do caçula. Aprender boxe assim não é a mesma coisa que aprender numa academia aos dezoito. Não houve descoberta tardia nem técnico moldando do zero: havia seis irmãos mais velhos lutando por dinheiro enquanto ele assistia. A escola de Jalisco bate no corpo, contra-ataca de guarda fechada e não recua, e a linhagem de boxeadores mexicanos que passa por Julio César Chávez chegou até ele como herança, não como escolha. Os Reynoso o pegaram aos treze anos. José "Chepo" Reynoso e o filho Eddy começaram a treiná-lo na academia Julián Magdaleno, em Guadalajara, e a parceria nunca se desfez. Chepo disse ao Las Vegas Review-Journal em 2016 que já estavam juntos havia doze ou treze anos. Eddy Reynoso, eleito técnico do ano de 2019 pela associação de cronistas de boxe dos Estados Unidos, ainda era descrito pela imprensa especializada como treinador e empresário dele em abril de 2026. Vinte e três anos com o mesmo córner não tem paralelo recente no boxe de elite. A parte amadora que nenhuma federação confirma O cartel amador que circula em todo lugar, 44 vitórias e 2 derrotas, não tem respaldo de nenhuma entidade. A Premier Boxing Champions publica 44-2 com 12 nocautes. A própria biografia do BoxRec avisa que algumas fontes atribuem a ele cerca de vinte lutas amadoras e outras o tal 44-2. Não existe registro público da federação mexicana que encerre o assunto. Vale dizer isso em vez de disfarçar, porque a fase amadora foi curtíssima e a profissional começou numa idade que hoje seria barrada por quase qualquer comissão. Ele tinha quinze anos e três meses na estreia. Na prática, a formação que outros recebem de capacete em torneios nacionais, ele recebeu em lutas profissionais de quatro e seis assaltos em ginásios de Jalisco, por bolsas que a Forbes descreveu depois como de uns quarenta dólares. Há um segundo efeito, visível no cartel completo mais abaixo. Entre outubro de 2005 e dezembro de 2010 ele subiu ao ringue 36 vezes. É mais do que a carreira inteira da maioria dos campeões atuais. Aos vinte anos já tinha cinco de profissionalismo, e esse volume explica algo que o talento sozinho não explica: ele aprendeu a administrar gasto, a vencer assaltos sem se esvaziar e a lutar três ou quatro vezes por ano contra adversários escolhidos para ensinar uma coisa específica de cada vez. Uma carreira de 68 combates Profissional antes de tirar a carteira de motorista Canelo Álvarez estreou como profissional em 29 de outubro de 2005, na Arena Chololo Larios, em Tonalá, Jalisco, com nocaute técnico no quarto round sobre Abraham González. A DAZN, emissora que anos depois assinaria com ele o maior contrato da história do boxe, publicou esse ginásio e esse resultado ao reconstruir a carreira dele. O contraste entre as duas informações resume o arco inteiro. Os três primeiros anos parecem estágio, não carreira. Nove lutas em 2006, sete em 2007, oito em 2008, quase todas em Jalisco e estados vizinhos. A única mancha veio no quinto combate: empate dividido com Jorge Juárez em 17 de junho de 2006, em quatro rounds. É um dos dois empates do cartel e o único que ninguém contesta. Dois nomes dessa fase valem mais que os outros. Miguel Vázquez, que anos depois seria campeão leve da FIB por quatro anos, o enfrentou duas vezes, em janeiro de 2006 e em junho de 2008. Vázquez é desconfortável, defensivo e difícil de brilhar contra, e ter de resolvê-lo duas vezes antes dos dezoito anos foi escola. Francisco Villanueva o enfrentou três vezes entre 2006 e 2008, curiosidade que também mostra quão pequeno era o circuito. Quatro divisões, quatro projetos diferentes Canelo foi campeão mundial nos meio-médios ligeiros, nos médios, nos supermédios e nos meio-pesados, e o caminho entre elas não foi uma subida natural de peso. Foi uma sequência de operações pontuais. O primeiro título mundial veio em 5 de março de 2011, o cinturão vago dos meio-médios ligeiros do CMB, vencendo Matthew Hatton. Ele tinha vinte anos. Defendeu seis vezes e unificou em 20 de abril de 2013 contra Austin Trout, no Alamodome, diante de 39.247 pessoas. Aquele reinado inicial merece um parágrafo próprio porque foi onde ele aprendeu a ser campeão em vez de apenas vencer. Entre março de 2011 e abril de 2013 defendeu o cinturão seis vezes contra um leque deliberadamente variado: Ryan Rhodes, nocaute técnico no décimo segundo round; Alfonso Gómez, nocaute técnico no sexto; Kermit Cintrón, nocaute técnico no quinto; Shane Mosley, decisão unânime; Josesito López, nocaute técnico no quinto; e finalmente Trout. Cada adversário trazia um problema diferente, e a sequência funciona como currículo de formação mais do que como lista de defesas. A fase dos médios carrega uma ressalva quase sempre omitida. Ele ganhou o título vago dos médios do CMB de Miguel Cotto em 21 de novembro de 2015, mas o combate foi acertado em 155 libras, cinco abaixo do limite real da categoria. A defesa contra Amir Khan, em 7 de maio de 2016, também saiu em 155. A primeira vez que ele bateu o peso médio verdadeiro de 160 libras numa luta de título foi em setembro de 2017, contra Gennadiy Golovkin. Quem lê o histórico dele como um reinado limpo nos médios está lendo errado. Em 2 de novembro de 2019 ele pulou duas divisões e tirou o cinturão meio-pesado da OMB de Sergey Kovalev, e nunca mais voltou às 175 libras. Foi uma incursão de uma noite só, e deu certo. A tentativa de repetir a fórmula contra Dmitry Bivol, em 7 de maio de 2022, deu errado. Os supermédios viraram endereço fixo. Ele ganhou os cinturões da AMB e o vago do CMB de Callum Smith em 19 de dezembro de 2020, somou o da OMB contra Billy Joe Saunders em 8 de maio de 2021 e tirou o da FIB de Caleb Plant em 6 de novembro de 2021. O Conselho Mundial de Boxe contabiliza nove defesas bem-sucedidas do seu cinturão supermédio. As lutas que construíram o nome A noite do título indiscutível foi 6 de novembro de 2021, contra Caleb Plant, no MGM Grand Garden Arena, diante de 16.586 pessoas. Plant boxeou bem atrás do jab por metade da luta. Canelo respondeu com uma campanha de demolição no corpo: das 117 conexões dele na luta inteira, 53 foram abaixo da linha da cintura. No décimo primeiro round veio um gancho de esquerda seguido de um uppercut de direita que derrubou Plant, que levantou, tomou a sequência final e viu o árbitro Russell Mora encerrar a 1min05. Ali ele virou o primeiro campeão indiscutível dos supermédios da era dos quatro cinturões e o primeiro mexicano indiscutível em qualquer divisão nessa era. Em 30 de setembro de 2023 ele enfrentou Jermell Charlo, campeão indiscutível dos médios ligeiros que subiu duas categorias inteiras para desafiá-lo. Foi um dos combates de maior currículo cruzado da década e um dos mais unilaterais: Charlo nunca encontrou distância, Canelo venceu por decisão unânime e a luta ficou marcada mais pela ambição do desafio do que pelo que aconteceu dentro do ringue. Em 6 de maio de 2023, contra John Ryder, ele havia feito algo simbolicamente maior para o público mexicano ao voltar a lutar em Guadalajara e vencer por decisão unânime em casa. Contra Daniel Jacobs, em 4 de maio de 2019, ele resolveu um problema físico parecido com o que Bivol lhe imporia depois, e resolveu bem. Jacobs era mais alto, mais longo e trocava de guarda no meio dos rounds. Canelo cortou o ringue com paciência, trabalhou o corpo e levou a decisão unânime que unificou o cinturão da FIB dos médios. Foi a prova de que o problema dele nunca foi a altura do adversário, e sim a combinação de altura com movimentação lateral constante. Contra Edgar Berlanga, em 14 de setembro de 2024, veio a vitória mais confortável e menos comentada dessa fase. Ele derrubou o porto-riquenho invicto com um gancho de esquerda no terceiro round, controlou tudo com jab e velocidade de mãos, e venceu por 118-109, 117-110 e 118-109. A bilheteria foi de 17 milhões de dólares. A crítica pública veio pela ausência do nocaute, e partiu, entre outros, do seu ex-promotor. E há Floyd Mayweather, em 14 de setembro de 2013, que é o divisor de águas. Canelo tinha vinte e três anos e 42 lutas de invencibilidade. Perdeu por decisão majoritária no MGM Grand e o mecanismo da derrota foi elementar: Mayweather jogou o jab 330 vezes e acertou 42 por cento, enquanto Canelo não conseguia cortar o ringue contra um homem que só andava para trás e para os lados. É a mesma equação que reapareceria em 2022 e em 2025, com adversários diferentes. A trilogia com Gennadiy Golovkin ocupa um lugar próprio. As três lutas aconteceram em 16 de setembro de 2017, 15 de setembro de 2018 e 17 de setembro de 2022, sempre no mesmo fim de semana do calendário mexicano, e somaram 36 rounds sem uma única queda dos dois lados. A primeira terminou em empate dividido, a segunda em decisão majoritária para Canelo e a terceira em decisão unânime, já nos supermédios e contra um Golovkin de quarenta anos. Nenhuma das três produziu o nocaute que os dois prometeram, e é justamente por isso que a rivalidade sobreviveu tanto tempo: nunca houve um encerramento limpo. Vale registrar também a fase em que ele foi mais destruidor e menos discutido, entre 2014 e 2016. Alfredo Angulo caiu por nocaute técnico no décimo round em 8 de março de 2014. James Kirkland foi nocauteado no terceiro em 9 de maio de 2015, diante de 31.588 pessoas no Minute Maid Park, numa luta com três quedas em menos de três rounds. Amir Khan apagou com um único cruzado de direita no sexto round em 7 de maio de 2016, sem contagem. Foram três encerramentos brutais em pouco mais de dois anos, e é a versão dele que o público brasileiro conheceu primeiro, antes das decisões apertadas dos anos seguintes. O que as três derrotas têm em comum Três homens venceram Canelo Álvarez em 68 lutas profissionais: Floyd Mayweather em 14 de setembro de 2013, Dmitry Bivol em 7 de maio de 2022 e Terence Crawford em 13 de setembro de 2025. Todas as três derrotas foram por decisão dos juízes. Ele nunca foi nocauteado, nunca foi ao chão como profissional e nunca perdeu duas vezes para o mesmo adversário. Contra Bivol, subindo aos meio-pesados, ele perdeu por 115-113 nas três súmulas. O russo não fez nada exótico: foi maior, jabeou, circulou e não deixou o mexicano fixar os pés, que é a condição inicial de tudo o que Canelo faz bem. O nono round foi o melhor dele, com pressão real e sequências no corpo, mas Bivol retomou o controle do décimo ao décimo segundo e fechou a conta. Contra Crawford, que subiu duas divisões e pesou as mesmas 167,5 libras, a derrota veio pelo mesmo caminho com mais variação de guarda. Um choque de cabeças no nono round abriu um corte no americano sem alterar o padrão da luta. Canelo pressionou nos rounds finais e teve ali seus melhores momentos, tarde demais. Com a vitória, Crawford virou o primeiro homem a ser campeão indiscutível em três divisões diferentes na era dos quatro cinturões. A luta contra William Scull, em 3 de maio de 2025, não foi uma derrota, mas merece figurar aqui pelo que revelou. Canelo venceu por decisão unânime em Riade e recuperou o cinturão da FIB, e os dois juntos desferiram 445 golpes em doze rounds, o menor volume já registrado pelo CompuBox. Canelo foi responsável por apenas 152. Quando o adversário se recusa a produzir, ele também para, e esse é o limite estrutural do estilo. Parado desde setembro de 2025 Em 1º de setembro de 2026, Canelo Álvarez não possui nenhum título mundial e não luta desde 13 de setembro de 2025. Está escalado para o 69º combate da carreira contra Christian Mbilli, invicto com cartel de 29-0-1 e 24 nocautes, valendo o cinturão supermédio do CMB, em 31 de outubro de 2026, com Riade, na Arábia Saudita, indicada como sede pelo próprio Conselho Mundial de Boxe. A rigor, é o combate mais arriscado que ele aceitou desde Crawford. Mbilli chega invicto, com vinte e quatro nocautes em vinte e nove vitórias, doze anos mais novo e sem nunca ter sido derrotado como profissional. Canelo chega de um ano parado, de uma cirurgia e de uma derrota. O que a luta decide é simples de enunciar e difícil de responder antes do gongo: se aos 36 anos ele ainda produz o suficiente para vencer rounds contra alguém que produz muito. Há um detalhe de calendário que muda o peso da noite. Se vencer, Canelo volta a ser campeão do CMB numa categoria que dominou por quase cinco anos. Se perder, terá acumulado duas derrotas seguidas pela primeira vez na carreira, algo que nunca lhe aconteceu em 68 lutas. Poucos combates da fase final de um boxeador carregam essa diferença de consequência entre os dois resultados possíveis. A data original era 12 de setembro de 2026. Ele anunciou a mudança em julho de 2026 e citou um começo atrasado de preparação. Em 31 de julho de 2026 declarou à CBS News que havia passado cerca de um ano fora de atividade depois de uma cirurgia no cotovelo e que já estava em preparação plena. Mbilli foi promovido de campeão interino a campeão pleno do CMB e faria a primeira defesa. Datas anunciadas mudam, esta já mudou uma vez, e o mais sensato é tratá-la como provisória até os dois subirem ao ringue. O jeito de lutar: pressão calculada e ataque ao corpo Base, defesa de tronco e o golpe que fecha as contas Canelo Álvarez é um contra-atacante de base ortodoxa cujo boxe inteiro depende de estar perto o bastante para machucar e ser difícil o bastante de acertar para que o adversário desista de tentar. Ele mede 171 centímetros com 179 de envergadura, ou seja, lutou a carreira quase toda em desvantagem de altura e muitas vezes de alcance. Toda escolha estrutural dele nasce disso. A defesa é de tronco. Ele rola, esquiva e recua o busto em vez de bloquear, mantém guarda alta e compacta do lado da frente e absorve o castigo nos ombros e nas luvas sem sair do alcance de golpe. É por isso que ele chega ao décimo segundo round contra batedores pesados com o rosto praticamente intacto, algo raríssimo num boxeador que passa a luta inteira na distância curta. A assinatura ofensiva é o corpo, e os números sustentam. Contra Plant, 53 das 117 conexões foram abaixo. Contra Golovkin na revanche de 2018, ele superou um especialista em ataque ao corpo por 46 a 8 nesse quesito. O gancho de esquerda no fígado e o uppercut de direita no plexo são os dois golpes em torno dos quais ele monta cada round, e a lógica é paciente: o castigo embaixo trava as pernas, as pernas param de se mover e a cabeça fica disponível no nono round quando não estava no terceiro. O uppercut é o golpe que encerra. A órbita fraturada de Saunders, a queda de Plant, a queda de Jaime Munguía no quarto round em 4 de maio de 2024: os três saíram de uppercuts contra adversários que entravam inclinados. Ele solta curto, a partir de uma flexão de joelhos e sem dar passo, e é por isso que adversários continuam entrando nele mesmo com mais de uma década de vídeo disponível. Sobre equipamento existe um detalhe técnico real. A fabricação mexicana trabalha com formas mais estreitas e menos espuma sobre a articulação do que a japonesa, o que produz um golpe mais penetrante e menos absorvido, e é por isso que as luvas de boxe mexicanas continuam sendo referência para quem constrói vitória por dano acumulado no corpo em vez de volume. Contra canhotos ele tem um repertório específico que quase nunca é comentado. Austin Trout, Erislandy Lara, Billy Joe Saunders e Terence Crawford, os quatro canhotos mais relevantes da carreira dele, receberam o mesmo tratamento inicial: pé de fora, jab para o corpo e recusa a perseguir. A diferença de resultado entre eles não veio do canhotismo, e sim de quanto cada um se dispôs a parar. Saunders parou por oito rounds e pagou com a órbita. Lara não parou nunca e transformou a luta numa disputa de leitura de juízes. Crawford não só não parou como trocou de guarda no meio dos rounds, o que anula a leitura de ângulo que Canelo constrói ao longo da luta. Outro traço pouco discutido é a economia de energia. Ele raramente passa de trezentos e cinquenta golpes desferidos numa luta de doze rounds, número baixíssimo para a categoria, e compensa com percentual de acerto e com seleção. É um boxe de margem estreita: funciona enquanto os golpes que ele escolhe machucam mais do que o volume do adversário impressiona. Quando o adversário é grande o bastante para absorver o dano e disciplinado o bastante para manter distância, a margem some. O defeito é tão constante quanto a virtude, e as três derrotas o expõem. Ele não corta bem o ringue contra alguém que se move e tem tamanho. Mayweather, Bivol e Crawford eram mais altos, mais longos ou as duas coisas, circularam de lado e recusaram a troca curta. Contra esse perfil a produção dele cai, porque a produção depende de o adversário oferecer algo para contra-atacar. Todas as 68 lutas e os títulos conquistados A tabela abaixo traz as 68 lutas profissionais, da mais recente para a primeira, conferidas em 1º de setembro de 2026 contra o registro publicado pela DAZN, o histórico da ESPN e as atas oficiais da Comissão Atlética do Estado de Nevada para os combates realizados naquela jurisdição a partir de 2020. Uma correção precisa entrar aqui porque se repete em toda parte. O cartel é 63-3-2 num total de 68 lutas profissionais. Várias páginas imprimem 68 na coluna de vitórias e criam um fantasma, "68-3-2", que nenhuma fonte com acesso à lista sustenta. O 68 é o número de lutas, não de vitórias. As 39 vitórias antes do tempo somadas nesta tabela batem com os 39 nocautes publicados de forma independente, e essa é a verificação aritmética de que a lista está completa. Vale notar quantas dessas 68 terminaram nas súmulas dos juízes: entre maio de 2022 e setembro de 2025 foram oito combates seguidos resolvidos por decisão unânime. DataAdversárioResultadoMétodo 13 de setembro de 2025Terence CrawfordDerrotaDecisão unânime 3 de maio de 2025William ScullVitóriaDecisão unânime 14 de setembro de 2024Edgar BerlangaVitóriaDecisão unânime 4 de maio de 2024Jaime MunguíaVitóriaDecisão unânime 30 de setembro de 2023Jermell CharloVitóriaDecisão unânime 6 de maio de 2023John RyderVitóriaDecisão unânime 17 de setembro de 2022Gennadiy GolovkinVitóriaDecisão unânime 7 de maio de 2022Dmitry BivolDerrotaDecisão unânime 6 de novembro de 2021Caleb PlantVitóriaNocaute técnico, round 11 8 de maio de 2021Billy Joe SaundersVitóriaDesistência, round 8 27 de fevereiro de 2021Avni YıldırımVitóriaDesistência, round 3 19 de dezembro de 2020Callum SmithVitóriaDecisão unânime 2 de novembro de 2019Sergey KovalevVitóriaNocaute, round 11 4 de maio de 2019Daniel JacobsVitóriaDecisão unânime 15 de dezembro de 2018Rocky FieldingVitóriaNocaute técnico, round 3 15 de setembro de 2018Gennadiy GolovkinVitóriaDecisão majoritária 16 de setembro de 2017Gennadiy GolovkinEmpateDecisão dividida (empate) 6 de maio de 2017Julio César Chávez Jr.VitóriaDecisão unânime 17 de setembro de 2016Liam SmithVitóriaNocaute, round 9 7 de maio de 2016Amir KhanVitóriaNocaute, round 6 21 de novembro de 2015Miguel CottoVitóriaDecisão unânime 9 de maio de 2015James KirklandVitóriaNocaute, round 3 12 de julho de 2014Erislandy LaraVitóriaDecisão dividida 8 de março de 2014Alfredo AnguloVitóriaNocaute técnico, round 10 14 de setembro de 2013Floyd Mayweather Jr.DerrotaDecisão majoritária 20 de abril de 2013Austin TroutVitóriaDecisão unânime 15 de setembro de 2012Josesito LópezVitóriaNocaute técnico, round 5 5 de maio de 2012Shane MosleyVitóriaDecisão unânime 26 de novembro de 2011Kermit CintrónVitóriaNocaute técnico, round 5 17 de setembro de 2011Alfonso GómezVitóriaNocaute técnico, round 6 18 de junho de 2011Ryan RhodesVitóriaNocaute técnico, round 12 5 de março de 2011Matthew HattonVitóriaDecisão unânime 4 de dezembro de 2010Lovemore N'douVitóriaDecisão unânime 18 de setembro de 2010Carlos BaldomirVitóriaNocaute, round 6 10 de julho de 2010Luciano Leonel CuelloVitóriaNocaute técnico, round 6 1 de maio de 2010José Miguel CottoVitóriaNocaute técnico, round 9 6 de março de 2010Brian CamechisVitóriaNocaute, round 3 5 de dezembro de 2009Lanardo TynerVitóriaDecisão unânime 15 de setembro de 2009Carlos Leonardo HerreraVitóriaNocaute técnico, round 1 8 de agosto de 2009Marat KhuzeevVitóriaNocaute, round 2 6 de junho de 2009Jeferson Luis GonçaloVitóriaNocaute, round 9 11 de abril de 2009Michel RosalesVitóriaNocaute técnico, round 10 21 de fevereiro de 2009Euri GonzálezVitóriaNocaute técnico, round 11 17 de janeiro de 2009Luis Antonio FitchVitóriaNocaute técnico, round 1 5 de dezembro de 2008Raúl PinzónVitóriaNocaute técnico, round 1 24 de outubro de 2008Larry MosleyVitóriaDecisão unânime 2 de agosto de 2008Carlos Adán JerezVitóriaDecisão unânime 28 de junho de 2008Miguel VázquezVitóriaDecisão unânime 6 de junho de 2008Francisco VillanuevaVitóriaDecisão dividida 18 de abril de 2008Gabriel MartínezVitóriaDesistência, round 11 14 de março de 2008Francisco VillanuevaVitóriaNocaute técnico, round 9 22 de fevereiro de 2008Axel Rodrigo SolísVitóriaNocaute, round 1 15 de dezembro de 2007Sean HolleyVitóriaNocaute técnico, round 2 31 de agosto de 2007Ricardo CanoVitóriaDecisão unânime 18 de agosto de 2007Christian SolanoVitóriaDecisão unânime 1 de junho de 2007Jesús Abel HernándezVitóriaNocaute técnico, round 2 19 de maio de 2007Víctor MárquezVitóriaNocaute, round 4 30 de março de 2007Iván IllescasVitóriaNocaute, round 4 2 de março de 2007Javier MartínezVitóriaNocaute técnico, round 8 8 de dezembro de 2006Daniel MartínezVitóriaNocaute, round 2 29 de setembro de 2006Francisco VillanuevaVitóriaNocaute, round 5 15 de setembro de 2006Cristian HernándezVitóriaNocaute, round 2 21 de julho de 2006Juan HernándezVitóriaNocaute, round 2 17 de junho de 2006Jorge JuárezEmpateDecisão dividida (empate) 10 de fevereiro de 2006Pedro LópezVitóriaNocaute, round 1 20 de janeiro de 2006Miguel VázquezVitóriaDecisão dividida 26 de novembro de 2005Pablo AlvaradoVitóriaNocaute, round 2 29 de outubro de 2005Abraham GonzálezVitóriaNocaute técnico, round 4 Títulos mundiais conquistados, em ordem: Meio-médio ligeiro do CMB, vago, contra Matthew Hatton em 5 de março de 2011 Meio-médio ligeiro da AMB e cinturão vago da revista The Ring, contra Austin Trout em 20 de abril de 2013 Médio vago do CMB e cinturão dos médios da The Ring, contra Miguel Cotto em 21 de novembro de 2015, em peso casado de 155 libras Meio-médio ligeiro da OMB, contra Liam Smith em 17 de setembro de 2016 Médio da AMB (Super) e do CMB, contra Gennadiy Golovkin em 15 de setembro de 2018 Supermédio da AMB (Regular), contra Rocky Fielding em 15 de dezembro de 2018 Médio da FIB, contra Daniel Jacobs em 4 de maio de 2019 Meio-pesado da OMB, contra Sergey Kovalev em 2 de novembro de 2019 Supermédio da AMB (Super), cinturão da The Ring e título vago do CMB, contra Callum Smith em 19 de dezembro de 2020 Supermédio da OMB, contra Billy Joe Saunders em 8 de maio de 2021 Supermédio da FIB, contra Caleb Plant em 6 de novembro de 2021, completando o indiscutível Supermédio da FIB recuperado, contra William Scull em 3 de maio de 2025, restaurando o indiscutível Ele perdeu o cinturão supermédio da FIB em julho de 2024, quando a entidade recusou o pedido da equipe dele para enfrentar Edgar Berlanga no lugar do desafiante obrigatório William Scull. Recuperou o título dez meses depois e o perdeu de novo, com os outros três, para Crawford. Foi eleito lutador do ano de 2019 e de 2021 pela associação de cronistas de boxe dos Estados Unidos e pela revista The Ring. Canelo Álvarez é o maior boxeador de todos os tempos? Não existe resposta objetiva para essa pergunta, mas existem os fatos que costumam ser usados para respondê-la, e eles cortam nos dois sentidos. A favor: títulos mundiais em quatro divisões, o primeiro campeonato indiscutível da história nos supermédios, nove defesas do cinturão do CMB nessa categoria, vinte e um anos de atividade contínua no nível mais alto e nenhum nocaute sofrido em 68 lutas. Contra: três derrotas, várias delas contra os melhores adversários que enfrentou, pesos casados que reduziram o mérito de parte do reinado dos médios, e um período entre 2023 e 2025 em que a qualidade da oposição caiu. Em qualquer lista séria de maiores boxeadores de todos os tempos ele aparece, e raramente no topo, porque o topo costuma ser ocupado por nomes de eras em que os campeões defendiam títulos seis vezes por ano. O que é indiscutível é o lugar dele entre os mexicanos: apenas Julio César Chávez tem argumento comparável, e a comparação entre os dois é a discussão de bar mais antiga do boxe mexicano. O dinheiro: contratos, bolsas e estimativas As estimativas publicadas do patrimônio de Canelo Álvarez são poucas e a mais séria é a da Forbes, que em 2023 calculou pelo menos 275 milhões de dólares. Os números entre 300 e 500 milhões que circulam vêm de agregadores de patrimônio de celebridades que não explicam metodologia, e aqui não valem como fonte. A posição honesta é que não existe cifra auditada de patrimônio, e que o confiável são os ganhos documentados. Esses estão documentados e têm dono. A Forbes colocou Canelo em segundo lugar na lista de 2026 dos atletas mais bem pagos do mundo, com 170 milhões de dólares no ano, num período em que ele não lutou; o perfil com esse número foi atualizado em 22 de maio de 2026. Na lista de 2023 ele aparecia em quinto, com 110 milhões, dos quais apenas cerca de 10 milhões vinham de patrocínio. A Sportico calculou os ganhos acumulados de carreira em torno de 550 milhões de dólares até o fim de 2023. Os contratos explicam esses valores anuais. A ESPN noticiou em outubro de 2018 um acordo de cinco anos e onze lutas com a DAZN por 365 milhões de dólares, o maior contrato garantido já assinado por um atleta até aquele momento. Um acordo de três lutas com a Premier Boxing Champions em 2023 foi reportado em cerca de 100 milhões. Um contrato de quatro combates com a Riyadh Season, autoridade saudita de entretenimento comandada por Turki Alalshikh, foi reportado em aproximadamente 400 milhões. As bolsas individuais divulgadas por comissões atléticas são menores e mais confiáveis do que as manchetes de contrato. A bolsa declarada dele pela luta com Amir Khan em maio de 2016 foi de 13.309.664 dólares, contra 6 milhões de Khan, num evento que arrecadou 27.707.448. Pela luta com Austin Trout, em abril de 2013, recebeu 2.300.000 contra 950.000 do rival. A parcela reportada da trilogia com Golovkin em setembro de 2022 ficou em torno de 65 milhões. A diferença entre esses dois tipos de número é a diferença entre um documento e uma reportagem. Contratos plurianuais e o fim da bolsa por luta Não existe um valor único por luta, porque desde 2018 ele recebe em parcelas de contratos plurianuais em vez de negociar combate a combate. Na fase Riyadh Season foram reportadas garantias de cerca de 80 milhões de dólares pela luta com Scull em maio de 2025 e de 100 milhões ou mais pela luta com Crawford em setembro de 2025. Na fase DAZN, entre 2018 e 2021, a estrutura de onze lutas equivalia a algo perto de 33 milhões por apresentação contratada, sem contar participação em pay-per-view. Qualquer valor citado para uma noite específica deve ser checado antes: bolsa declarada em comissão é verificável, participação de contrato reportada pela imprensa não é. Longe do ringue: casamento, irmãos e o caso do clembuterol Canelo se casou com Fernanda Gómez em maio de 2021, na Catedral de Guadalajara, depois de um relacionamento intermitente desde 2016. Ele é pai de vários filhos. As fontes confiáveis não coincidem no número nem no detalhe: a CNN en Español registrava quatro em 2023 e a Sports Illustrated cinco em setembro de 2025, incluindo uma filha nascida em agosto de 2024. Como os relatos divergem e envolvem crianças, esta página registra o fato e não a lista. Entre os sete irmãos que lutaram boxe, Rigoberto Álvarez foi o que mais perto chegou de um cinturão mundial antes do caçula. Ele conquistou o título interino dos meio-médios ligeiros da Associação Mundial de Boxe em 10 de outubro de 2010, por decisão dividida sobre o japonês Nobuhiro Ishida, e o perdeu em Guadalajara em fevereiro de 2011 para Austin Trout, por decisão unânime. Dois anos e meio depois, Saúl venceu o mesmo Trout em San Antonio e ficou com o cinturão que tinha escapado do irmão. Nenhum empresário planeja uma simetria dessas. Ele mora e treina em San Diego, na Califórnia, e foi assim que a Forbes registrou sua residência ao atualizar o perfil em maio de 2026. Reportagens anteriores o descreviam dividindo o tempo entre San Diego e Guadalajara. Joga golfe quase diariamente, por declaração própria, em campos da região de San Diego. A carteira de negócios documentada pela Forbes em 2023 incluía a Canelo Energy, rede de postos de combustível no oeste do México, as lojas de conveniência Upper, a Canelo Promotions, uma linha de roupas on-line, um aplicativo de treino, uma marca de coquetéis em lata e uma taqueria tocada com um dos irmãos. A Forbes avaliou o conjunto em menos de 50 milhões de dólares, valor pequeno perto do que ele ganha lutando e enorme perto do que um boxeador comum acumula numa vida inteira. O único episódio realmente controverso da carreira está documentado e encerrado. Duas amostras coletadas pelo programa voluntário da Voluntary Anti-Doping Association em 17 e 20 de fevereiro de 2018, antes de uma revanche com Golovkin então marcada para maio, apresentaram traços de clembuterol em níveis que o laboratório descreveu como compatíveis com carne contaminada. A Comissão Atlética de Nevada aplicou suspensão provisória de um ano em 23 de março de 2018 e, em 18 de abril, votou por unanimidade reduzi-la a seis meses sem multa, com efeito retroativo à data do primeiro exame positivo, o que o liberava a partir de agosto. A revanche aconteceu em 15 de setembro de 2018. O sobrenome pesa em Jalisco por motivos que vão além do boxe. A família saiu da venda de picolés no transporte público para operar postos de combustível no oeste do país em menos de duas décadas. Ele contou à CBS News em 31 de julho de 2026 que o pai, Santos, lhe ensinou trabalho duro, honestidade e disciplina, e que foi isso o que tirou daquele ofício. O boxe mexicano virou também um mercado por causa de geração como a dele, e marcas como a No Boxing No Life constroem linhas inteiras de produto sobre essa identidade.

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Floyd Mayweather Jr.

Floyd Mayweather: cartel, fortuna e o legado de um invicto

Floyd Mayweather Jr. encerrou a carreira profissional invicto em 50 lutas porque construiu um sistema defensivo que quase ninguém conseguiu resolver, e não porque escolheu adversários fracos. Essa é a distinção que separa uma discussão séria sobre o boxeador de uma discussão de rede social. No Brasil o nome dele aparece quase sempre dentro da mesma pergunta: ele é o maior de todos os tempos? A resposta exige olhar para o que ele fazia com os ombros e com os pés, não apenas para o número no cartel. Este texto trata das duas coisas, com os dados conferidos e as fontes indicadas. Nascido em 24 de fevereiro de 1977, em Grand Rapids, no estado americano de Michigan, Mayweather tem 49 anos e um cartel de 50 vitórias, nenhuma derrota e nenhum empate, sendo 27 triunfos por nocaute. Foi campeão mundial em cinco categorias entre 1998 e 2015 e está com um retorno profissional marcado para setembro de 2026. Equipamento de Boxe Floyd Mayweather em números Ficha técnica e biográfica de Floyd Mayweather Jr., conferida em 31 de agosto de 2026. Cartel 50-0-0 (50-0-0) 27 KO Situação Ativo Apelido Money, antes Pretty Boy Categoria Do superpena (130 lb) ao meio-médio ligeiro (154 lb) Nacionalidade 🇺🇸 Estados Unidos Idade 49 nascido em 24 de fevereiro de 1977 Altura 173 cm 5 pés e 8 polegadas Estreia profissional 11 de outubro de 1996 Anos em atividade De 1996 até o presente 21 anos de competição profissional Equipe Mayweather Boxing Club, Las Vegas Redes @floydmayweather Quem é Floyd Mayweather Floyd Mayweather Jr. é um boxeador americano que venceu as 50 lutas profissionais que disputou e conquistou títulos mundiais em cinco categorias de peso diferentes entre 1998 e 2015. Nenhum outro pugilista chegou a esse número de combates sem derrota nem empate. O que sustenta a reputação dele não é o volume de nocautes. Vinte e sete das cinquenta vitórias vieram antes do limite, e vinte e cinco delas aconteceram antes de 2008: na segunda metade da carreira ele passou a enfrentar homens maiores e a vencer nos cartões, assalto a assalto. Em um esporte onde o dano se acumula, chegar aos 40 anos ainda invicto diz mais sobre a defesa do que sobre o soco. Resposta rápida: Mayweather é o único boxeador profissional a somar cinquenta vitórias sem qualquer derrota, e esse cartel continua intacto em agosto de 2026. Origem e formação O boxe já estava dentro de casa antes de ele nascer. O pai, Floyd Mayweather Sr., foi peso meio-médio profissional e perdeu por nocaute para Sugar Ray Leonard em 1978. O tio Roger Mayweather foi campeão mundial em duas categorias. Os dois viriam a treiná-lo em fases distintas da carreira. Grand Rapids e uma infância dentro do ginásio Ele cresceu em Grand Rapids e aprendeu o ofício em academias de bairro, com o pai e os tios, sem passar por programa escolar ou clube estruturado. É uma diferença relevante: a base técnica dele vem de uma linhagem familiar específica, e não de um método nacional como acontece com boxeadores cubanos ou russos. Atlanta 1996 e o bronze contestado Aos 19 anos ele defendeu os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Atlanta e ficou com o bronze no peso pena. A eliminação veio na semifinal, para o búlgaro Serafim Todorov, em uma decisão contestada na época e ainda hoje lembrada como uma das mais polêmicas daquele torneio. Todorov foi o último homem a ter a mão levantada diante dele. Carreira profissional Vinte e um anos de atividade, cinco categorias e uma progressão que fica mais interessante quando dividida em fases. Do superpena ao primeiro cinturão mundial A estreia profissional aconteceu em 11 de outubro de 1996, com nocaute técnico no segundo assalto sobre Roberto Apodaca. Dois anos e dezessete lutas depois, em 3 de outubro de 1998, ele tirou o cinturão superpena do CMB de Genaro Hernández. Tinha 21 anos e já lutava como veterano: pouco desperdício de mão, muita troca de ângulo. A subida até os meio-médios e a noite contra Márquez Depois de passar pelo leve e pelo superleve, Mayweather se instalou nos meio-médios, onde ficou quase uma década. A luta contra Juan Manuel Márquez, em 19 de setembro de 2009, merece atenção porque explica o método dele melhor do que qualquer outra. Márquez é um dos maiores contragolpeadores da história e depende de fazer o adversário errar primeiro. Mayweather simplesmente não lhe deu um alvo: liderou as trocas, usou a mão direita adiantada e venceu quase todos os assaltos sem precisar do risco que um contragolpeador exige. Foi a demonstração mais clara de que ele não era apenas um lutador defensivo. Quando o plano pedia iniciativa, ele tomava a iniciativa. Pacquiao, Berto e a despedida O combate com Manny Pacquiao, em 2 de maio de 2015, foi vendido como a luta da geração e entregou muito menos do que prometia. Mayweather venceu por decisão unânime controlando a distância com o jab e girando para a direita sempre que Pacquiao tentava entrar pelo lado canhoto. Não foi um espetáculo, mas foi exatamente o plano que ele vinha executando havia quinze anos. Ele encerrou a carreira em setembro daquele ano contra Andre Berto e voltou uma única vez, em 26 de agosto de 2017, para parar Conor McGregor no décimo assalto. Cartel completo de Floyd Mayweather A tabela abaixo traz as cinquenta lutas profissionais na ordem inversa, da mais recente para a estreia. Repare no trecho final: entre maio de 2012 e setembro de 2015 foram sete vitórias seguidas nos cartões, todas contra campeões ou ex-campeões mundiais. É o retrato de um boxeador que, já veterano, trocou o risco pela margem. Data Adversário Resultado Método 26 de agosto de 2017Conor McGregorVitóriaTKO 10 12 de setembro de 2015Andre BertoVitóriaUD 12 2 de maio de 2015Manny PacquiaoVitóriaUD 12 13 de setembro de 2014Marcos MaidanaVitóriaUD 12 3 de maio de 2014Marcos MaidanaVitóriaMD 12 14 de setembro de 2013Canelo ÁlvarezVitóriaMD 12 4 de maio de 2013Robert GuerreroVitóriaUD 12 5 de maio de 2012Miguel CottoVitóriaUD 12 17 de setembro de 2011Victor OrtizVitóriaKO 4 1 de maio de 2010Shane MosleyVitóriaUD 12 19 de setembro de 2009Juan Manuel MárquezVitóriaUD 12 8 de dezembro de 2007Ricky HattonVitóriaTKO 10 5 de maio de 2007Oscar De La HoyaVitóriaSD 12 4 de novembro de 2006Carlos BaldomirVitóriaUD 12 8 de abril de 2006Zab JudahVitóriaUD 12 19 de novembro de 2005Sharmba MitchellVitóriaTKO 6 25 de junho de 2005Arturo GattiVitóriaRTD 6 22 de janeiro de 2005Henry BruselesVitóriaTKO 8 22 de maio de 2004DeMarcus CorleyVitóriaUD 12 1 de novembro de 2003Phillip N'douVitóriaTKO 7 19 de abril de 2003Victoriano SosaVitóriaUD 12 7 de dezembro de 2002José Luis CastilloVitóriaUD 12 20 de abril de 2002José Luis CastilloVitóriaUD 12 10 de novembro de 2001Jesús ChávezVitóriaRTD 9 26 de maio de 2001Carlos HernandezVitóriaUD 12 20 de janeiro de 2001Diego CorralesVitóriaTKO 10 21 de outubro de 2000Emanuel AugustusVitóriaTKO 9 18 de março de 2000Gregorio VargasVitóriaUD 12 11 de setembro de 1999Carlos GerenaVitóriaRTD 7 22 de maio de 1999Justin JuukoVitóriaKO 9 17 de fevereiro de 1999Carlos RiosVitóriaUD 12 19 de dezembro de 1998Angel ManfredyVitóriaTKO 2 3 de outubro de 1998Genaro HernándezVitóriaRTD 8 14 de junho de 1998Tony PepVitóriaUD 10 18 de abril de 1998Gustavo CuelloVitóriaUD 10 23 de março de 1998Miguel MeloVitóriaTKO 3 28 de fevereiro de 1998Sam GirardVitóriaKO 2 9 de janeiro de 1998Hector ArroyoVitóriaTKO 5 20 de novembro de 1997Angelo NunezVitóriaTKO 3 14 de outubro de 1997Felipe GarciaVitóriaKO 6 6 de setembro de 1997Louie LeijaVitóriaTKO 2 12 de julho de 1997Jesus Roberto ChavezVitóriaTKO 5 14 de junho de 1997Larry O'ShieldsVitóriaUD 6 9 de maio de 1997Tony DuranVitóriaTKO 1 12 de abril de 1997Bobby GiepertVitóriaTKO 1 12 de março de 1997Kino RodriguezVitóriaTKO 1 1 de fevereiro de 1997Edgar AyalaVitóriaTKO 2 18 de janeiro de 1997Jerry CooperVitóriaTKO 1 30 de novembro de 1996Reggie SandersVitóriaUD 4 11 de outubro de 1996Roberto ApodacaVitóriaTKO 2 Estilo de luta e técnica Mayweather lutava na base ortodoxa, com 173 cm de altura e 183 cm de envergadura, uma medida longa para as categorias que disputou. O sistema dele resolvia dois problemas ao mesmo tempo: tirar a cabeça da linha do golpe e deixar a própria mão direita pronta para sair. A philly shell, e o que quase todo mundo erra sobre ela A guarda que ficou associada ao nome dele é a philly shell: ombro da frente erguido, braço da frente atravessado na altura da cintura e mão de trás colada no rosto. A confusão mais comum em vídeos brasileiros é tratar a philly shell e a guarda cruzada como a mesma coisa. Não são. Na guarda cruzada, usada por Archie Moore, os dois braços ficam sobrepostos na frente do tronco e a defesa é essencialmente estática. Na philly shell só o braço da frente atravessa o corpo, o ombro faz o trabalho de cobrir o queixo e a mão de trás fica livre para sair. Uma é um bloqueio, a outra é uma plataforma de contragolpe, e é por isso que Mayweather conseguia acertar de dentro dela. Leitura de distância e o gancho de saída A parte menos comentada é o trabalho de pernas. Mayweather media a distância com o pé de trás e mudava de ângulo em vez de recuar em linha reta, o que obrigava o adversário a reiniciar o ataque a cada troca. O melhor exemplo disso são as duas lutas contra Marcos Maidana em 2014. Na primeira, em maio, o argentino o prendeu nas cordas e transformou o combate em briga de trincheira, vencendo assaltos com volume e pressão. Na revanche, em setembro, Mayweather mudou uma coisa só: passou a circular para fora antes de Maidana fechar o ângulo, em vez de encostar e tentar resolver no curto. O placar abriu. É a demonstração mais didática de que o sistema dele dependia de espaço, e de que ele sabia exatamente onde estava o próprio limite. Floyd Mayweather é o maior boxeador de todos os tempos? Não existe resposta objetiva para essa pergunta, e quem apresenta uma costuma estar vendendo alguma coisa. O que dá para fazer é separar os argumentos verificáveis dos dois lados. A favor: cinco categorias com título mundial, vitórias sobre campeões em três décadas diferentes, nenhuma derrota profissional e um domínio técnico que obrigou adversários de estilos opostos a lutar do jeito dele. Contra: um número de nocautes baixo para um invicto, algumas lutas negociadas depois do auge do adversário, e a ausência de um combate contra o rival direto da própria geração no momento certo. Vale lembrar que o próprio conceito de melhor de todos os tempos muda conforme o critério, como mostra qualquer lista dos maiores boxeadores da história: quem valoriza domínio absoluto tende a citar Sugar Ray Robinson, quem valoriza longevidade cita Bernard Hopkins, e quem valoriza cartel limpo cita Mayweather ou Rocky Marciano. Patrimônio e ganhos na carreira Nenhum número de fortuna pessoal de Floyd Mayweather pode ser tratado como fato, porque todas as cifras que circulam são estimativas produzidas por terceiros, sem acesso a declarações patrimoniais. O que existe de concreto são os ganhos declarados e os rankings de imprensa. Concreto: a revista Forbes o colocou em primeiro lugar na lista de atletas mais bem pagos do mundo em 2015, atribuindo a ele 300 milhões de dólares de receita naquele ano, e ele voltou ao topo da lista em 2018. O banco de dados Tapology soma as bolsas divulgadas ao longo da carreira em 391,5 milhões de dólares. Estimado: os valores de patrimônio líquido publicados por sites de celebridades divergem entre si em centenas de milhões e não indicam fonte primária. Nenhum deles é reproduzido aqui como dado. Títulos, conquistas e a situação atual Foram 15 títulos mundiais reconhecidos em cinco categorias: superpena em 1998, leve em 2002, superleve em 2005, meio-médio a partir de 2006 e meio-médio ligeiro em 2007. Some a isso o bronze olímpico de 1996 e você tem uma folha de serviços que coloca Mayweather entre os lutadores de boxe mais conhecidos de qualquer época. Situação atual, conferida em 31 de agosto de 2026: Floyd Mayweather está vivo, tem 49 anos e tem uma revanche profissional contra Manny Pacquiao marcada para setembro de 2026, em Las Vegas. A luta foi anunciada em fevereiro de 2026 e contratada como combate oficial, não exibição, o que significa que o cartel de 50-0 está em jogo de verdade. A data e o local mudaram mais de uma vez desde o anúncio e o ginásio seguia sem confirmação no fim de agosto. Fontes utilizadas: Olympedia para o resultado olímpico, BoxRec para o cartel profissional e ESPN para a biografia e o retorno anunciado.

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