Uma faixa branca lisa, sem enfeite e sem ponta bordada, é tudo que quem está começando no Jiu-Jitsu realmente precisa, porque o resto vem depois com o tempo de tatame. Comprar uma faixa de cor mais avançada por conta própria, mesmo que o aluno já treine há um tempo em outro lugar, costuma gerar desconfiança na nova academia até que o professor confirme o nível pessoalmente. O caminho mais simples é sempre entrar como faixa branca e deixar que a graduação siga o ritmo que o professor define, não o que o aluno acha que já mereceu. Isso vale até para quem já tem experiência em outra arte marcial ou fez alguns meses de aula solta em outro estado: o histórico conta na conversa com o professor, mas não substitui a avaliação direta em cima do tatame.
O tamanho da faixa costuma vir de uma tabela de altura e peso, mas essas tabelas variam de marca para marca, então o mesmo número pode servir de forma ligeiramente diferente dependendo de onde você compra. Uma faixa apertada demais folga sozinha durante a raspagem e obriga a reamarrar no meio do treino, o que atrapalha mais do que parece à primeira vista. Escolha um tamanho acima quando estiver em dúvida entre dois números, porque sobra de faixa incomoda bem menos do que faixa curta. Quem compete sob regras de federação deve confirmar a largura mínima exigida antes de comprar, porque isso muda de organização para organização e nem toda faixa de kit iniciante atende esse requisito.
O tecido tipo faixa canvas, mais grosso e de trançado firme, segura o nó melhor durante a raspagem, principalmente em pegadas de gola onde o oponente puxa direto na faixa. Um tecido mais fino e leve pesa menos na cintura e seca mais rápido depois do treino, mas afrouxa com mais facilidade em rolamentos longos. Prefira o trançado grosso se você treina competição ou faz muita pegada de gola; o tecido leve compensa mais para quem treina raramente ou sente calor demais com o gi completo em dias quentes.
Cada cor de faixa passa por vários graus internos antes da próxima cor, e esses graus normalmente aparecem como marcas pequenas na ponta, não como uma faixa nova a cada avanço. Uma faixa com ponta bordada com nome ou logo da academia fica bonita e é comum entre alunos mais avançados, mas não é a escolha certa para quem ainda não confirmou com a academia se ela segue um padrão específico de bordado, porque aí o gasto vira retrabalho sem necessidade. Academias que competem bastante costumam ter fornecedor próprio de bordado, e nesses casos vale a pena perguntar antes de encomendar uma faixa pronta em outro lugar.
Faixa desbotada não é sinal de faixa velha demais para uso, é praticamente um cartão de visita no Jiu-Jitsu. Uma faixa gasta, puída na ponta, mostra tempo de tatame de um jeito que nenhuma faixa nova consegue simular. Trocar de faixa só porque perdeu a cor não faz muito sentido dentro dessa cultura. Sendo direto, entre praticantes mais experientes uma faixa impecável às vezes levanta a pergunta errada sobre quanto tempo a pessoa realmente treina.
Secar a faixa direto no sol forte, comum em academias com varal do lado de fora, desbota a cor bem mais rápido do que secar à sombra. Quem quer manter a cor viva por mais tempo faz melhor escolhendo um canto coberto, mesmo que a faixa demore um pouco mais para secar. Máquina de secar também não ajuda: o calor e o giro constante mudam o peso do tecido e afetam o trançado, principalmente em faixas mais grossas tipo canvas, deixando tudo mais duro e menos confortável no nó depois de poucos ciclos.
Fora do treino de gi, a faixa não aparece, mas isso não quer dizer que o grau pare de contar. Muitas academias brasileiras avaliam o desempenho geral do aluno, gi e no-gi juntos, então vale a pena ter uma faixa disponível mesmo treinando mais sem gi, só para os dias de aula de gi ou para uma avaliação que a academia marque de vez em quando. Uma faixa bem escolhida no início costuma durar várias graduações antes de precisar de troca, o que compensa mais do que comprar uma nova a cada poucos meses só para economizar na hora da compra.