Canelo Álvarez é o boxeador mexicano que dominou a categoria supermédio, os 76,2 kg, por meia década e conquistou títulos mundiais em quatro divisões diferentes. Em setembro de 2026 continua na ativa.
Canelo Álvarez em números
| Cartel | 63-3-2 (W-L-D) 39 KO |
|---|---|
| Situação | Ativo |
| Apelido | Canelo |
| Categoria | Supermédio (de meio-médio ligeiro a meio-pesado) |
| Nacionalidade | México |
| Idade | 36nascido em |
| Altura | 171 cm 5 pés 7½ pol |
| Peso | 76,2 kg 168 lb (limite supermédio) |
| Estreia profissional | |
| Anos em atividade | 2005 até a atualidade 20 anos |
| Equipe | Canelo Team, San Diego |
| Redes | @canelo |
Origens: o caçula de oito filhos em Jalisco
Saúl Álvarez Barragán nasceu em 18 de julho de 1990, na região metropolitana de Guadalajara, no estado de Jalisco. Era o mais novo de oito filhos e o sétimo menino da casa. A família se mudou para Juanacatlán quando ele tinha cerca de cinco anos, e foi ali, entre o rancho e os cavalos, que ele cresceu.
O cabelo ruivo veio da mãe, Ana María Barragán, e é a origem do apelido. No México, ruivo se chama canelo, pela cor da canela. O nome pegou muito antes de aparecer em qualquer cartaz de luta e ele nunca lutou com outro.
O pai, Santos Álvarez, vendia sorvete. Seis irmãos mais velhos já eram boxeadores profissionais quando Saúl entrou na academia aos treze anos, o que para os padrões mexicanos é tarde. Dois anos depois ele já recebia para lutar.
A escola mexicana e o que ele fez de diferente
O boxe mexicano tem uma assinatura técnica reconhecível em qualquer lugar do mundo: pressão constante, castigo ao corpo e disposição para trocar. É a linhagem que vai de Julio César Chávez a Marco Antonio Barrera, e entender essa tradição ajuda a entender por que Álvarez luta como luta. Vale a leitura sobre os boxeadores mexicanos que construíram esse molde.
A diferença dele está na metade defensiva. O lutador mexicano clássico aceita apanhar para entrar. Álvarez aprendeu a girar o ombro, absorver na guarda e responder por cima do golpe que acabou de passar. Pressão mexicana com defesa de contragolpeador é uma combinação que ninguém no país tinha executado naquele nível antes dele.
Carreira amadora
A passagem dele pelo amadorismo foi curta e é pior documentada do que parece. O cartel de 44 vitórias e 2 derrotas com 12 nocautes aparece no perfil oficial da Associação Mundial de Boxe e se repete em quase todo lugar, mas o BoxRec registra que as versões divergem e que há fontes apontando algo em torno de 20 lutas. Nenhum registro federativo primário confirma o 44-2.
As conquistas têm sustentação melhor: prata no campeonato nacional juvenil mexicano em 2004 e ouro no juvenil em 2005, ano em que virou profissional. Dois anos de amadorismo é praticamente nada. Tudo o que ele tem de técnico foi construído depois, já recebendo cachê, e isso explica por que o repertório dele amadureceu tão tarde em comparação com um Lomachenko ou um Usyk.
Carreira profissional
Estreia profissional aos quinze anos
Álvarez estreou como profissional em 29 de outubro de 2005, na Arena Chololo Larios, em Tonalá, Jalisco, e parou Abraham González no quarto assalto. Tinha quinze anos, três meses e onze dias.
Os três anos seguintes são a parte esquecida do cartel e explicam mais do que as noites famosas. Entre a estreia e o fim de 2008 foram vinte e quatro lutas profissionais, dezesseis vencidas antes do tempo, em palenques, ginásios e salões de festa de Nayarit, Zapopan e Ciudad Nezahualcóyotl. Ele lutou duas vezes em um mesmo setembro de 2006 e duas vezes em três semanas de março de 2007.
Há um nome brasileiro nessa fase inicial do cartel. Em 6 de junho de 2009, no Parque Xcaret, em Cancún, Álvarez nocauteou Jeferson Luis Gonçalo no nono assalto. O perfil oficial de Gonçalo na Associação Mundial de Boxe registra o país como Brasil e um cartel de 23-10-3 com 13 nocautes. Álvarez tinha dezoito anos e defendia o título norte-americano NABF dos meio-médios, o primeiro cinturão de alguma relevância da carreira dele.
Em 17 de junho de 2006, em Tijuana, empatou por decisão dividida com Jorge Juárez. Era a quinta luta da carreira e ele tinha quinze anos. É um dos dois únicos empates de um cartel que hoje soma 68 lutas, e nunca foi revertido.
Quatro divisões, quinze quilos
Álvarez competiu ao longo de uma faixa de aproximadamente quinze quilos, da estreia perto do limite dos superleves até o título mundial dos meio-pesados. Essa amplitude é o dado estrutural da carreira dele.
Conquistou o cinturão vago do Conselho Mundial de Boxe nos meio-médios ligeiros em 5 de março de 2011, batendo Matthew Hatton com 119-108 nas três súmulas, aos vinte anos. Unificou em 2013 diante de Austin Trout, subiu aos médios em novembro de 2015 contra Miguel Cotto, passou aos supermédios contra Rocky Fielding em dezembro de 2018 e subiu aos meio-pesados em novembro de 2019.
As noites que mudaram a carreira
A luta mais importante da carreira de Álvarez, do ponto de vista do que ela provou, aconteceu em 2 de novembro de 2019, no MGM Grand Garden Arena, contra Sergey Kovalev. Ele subiu duas divisões inteiras, dos 72,6 kg dos médios para os 79,4 kg dos meio-pesados, para desafiar um dos maiores batedores da década.
O plano de Álvarez foi paciente a ponto de irritar. Kovalev era mais alto, tinha envergadura maior e um jab pesado, e por dez assaltos ficou à frente nas súmulas fazendo exatamente aquilo. Álvarez passou a luta inteira cortando o ringue, investindo no corpo e aceitando ficar atrás no placar enquanto gastava as pernas do russo. Kovalev tinha trinta e seis anos e vinha de uma preparação difícil para fazer o peso.
No décimo primeiro assalto o acúmulo cobrou. Álvarez encurtou a distância, acertou uma direita curta e emendou um cruzado de esquerda que derrubou Kovalev nas cordas, sem contagem, aos 2 minutos e 15 segundos. Foi nocaute puro. Com aquela vitória ele virou campeão mundial em quatro divisões e o quarto ex-campeão dos meio-médios ligeiros da história a conquistar um título dos meio-pesados, depois de Thomas Hearns, Sugar Ray Leonard e Mike McCallum.
A leitura correta daquela noite é que foi uma incursão, não uma mudança de casa. Álvarez devolveu o cinturão e voltou aos supermédios na luta seguinte. Ele nunca disputou outra luta nos 79,4 kg até enfrentar Dmitry Bivol em 7 de maio de 2022, e essa segunda tentativa terminou em derrota por decisão unânime, com 115-113 nas três súmulas.
A derrota para Bivol merece uma leitura física, e não técnica. Bivol é meio-pesado de carreira inteira, um homem que vive naquele peso o ano todo. Álvarez subiu de 76,2 kg para 79,4 kg carregando massa que o corpo dele não sustenta naturalmente, e o efeito não apareceu na velocidade nem na precisão: apareceu na capacidade de repetir. Ele começou bem, encurtou distância nos primeiros assaltos e depois foi perdendo a frequência com que conseguia fazer isso. Do sétimo em diante, cada entrada custava mais e rendia menos. A conclusão desconfortável é que o teto de Álvarez naquele peso foi definido pela estrutura óssea, não pela habilidade, e nenhuma preparação resolve isso.
Uma noite que interessa particularmente ao público que acompanha o boxe latino-americano é 4 de maio de 2024, contra Jaime Munguía, no T-Mobile Arena. Era mexicano contra mexicano, os dois invictos naquele momento na divisão, com os quatro cinturões supermédios em jogo, e foi vendida no México como a luta que definiria a sucessão. Munguía tinha 43 vitórias sem derrota e sete centímetros de vantagem em altura.
Álvarez resolveu no quarto assalto, quando acertou um uppercut de direita que derrubou Munguía pela primeira vez na carreira do adversário. Daí em diante administrou. As súmulas finais foram 117-110, 116-111 e 115-112, todas para Álvarez. O detalhe técnico que ficou daquela noite é que Munguía, mais alto e mais longo, tentou justamente a estratégia que funcionou para Bivol e para Crawford, e não conseguiu executá-la, porque insistia em trocar. Contra quem troca, Álvarez continua sendo o problema que sempre foi.
No extremo oposto do espectro está a noite de 3 de maio de 2025, em Riade, contra o cubano William Scull. Álvarez venceu por decisão unânime e reunificou os quatro cinturões supermédios, tornando-se o primeiro lutador a ser campeão indiscutível duas vezes na mesma divisão desde que existem quatro organizações. E mesmo assim a luta virou um problema de imagem.
Os dois somaram 445 golpes lançados em doze assaltos, o menor volume já registrado pela CompuBox em uma luta de doze rounds, abaixo da marca anterior de 459. Álvarez lançou 152 deles, uma média de menos de treze por assalto. Scull recuou a luta inteira e Álvarez, que é contragolpeador por natureza, não tinha o que contragolpear. A noite explica melhor do que qualquer análise o limite estrutural do estilo dele.
Entre esses dois extremos está a atuação mais completa: em 6 de novembro de 2021 ele parou Caleb Plant no décimo primeiro assalto e se tornou o primeiro campeão indiscutível da história dos supermédios. A primeira derrota da carreira tinha vindo bem antes, em 14 de setembro de 2013, contra Floyd Mayweather, por decisão majoritária.
Situação atual
Em 1º de setembro de 2026, Canelo Álvarez está na ativa, não luta desde 13 de setembro de 2025 e não detém nenhum título mundial. O cartel é de 63-3-2 com 39 nocautes, verificado em 1º de setembro de 2026.
A última luta foi a derrota por decisão unânime para Terence Crawford, no Allegiant Stadium, em Las Vegas, com súmulas de 116-112, 115-113 e 115-113, diante de 70.482 pessoas e 41,4 milhões de espectadores pela Netflix. Álvarez operou o cotovelo esquerdo em outubro de 2025. Está escalado para desafiar Christian Mbilli, invicto com 29-0-1 e 24 nocautes, pelo título supermédio do CMB em 31 de outubro de 2026, em Riade. A luta havia sido anunciada para 12 de setembro de 2026 e foi adiada a pedido do próprio Álvarez, que citou em julho de 2026 questões familiares que atrasaram a preparação. Datas anunciadas mudam, e esta já mudou uma vez.
Estilo de luta
Guarda alta, rotação e o ataque ao corpo
Álvarez é um contragolpeador de guarda ortodoxa que tira potência da rotação de quadril, não da envergadura. O mecanismo central é girar o ombro: ele recebe o golpe no ombro ou na luva, acompanha o movimento em vez de recuar e responde da posição em que o giro o deixou.
A arma mais confiável é o cruzado de esquerda no fígado, lançado tarde na troca, quando o cotovelo do adversário já subiu. Foi o golpe que desmontou James Kirkland, Amir Khan e Liam Smith. O padrão dos nocautes dele é quase sempre o mesmo: quatro ou cinco assaltos investindo embaixo e depois um golpe em cima que entra porque a guarda desceu para proteger as costelas.
Esse tipo de golpe curto, com o punho já girado, é a razão pela qual a tradição mexicana dá tanta atenção à proteção da mão. As bandagens de boxe mexicanas se popularizaram justamente entre lutadores que constroem a luta em cima do ataque ao corpo, onde o impacto se concentra nos nós dos dedos e no punho.
O ponto fraco é a produção. Álvarez nunca foi um lutador de volume e a tendência se acentuou com a idade. Ele vence rounds com precisão e não com quantidade, o que funciona contra quem avança e falha contra quem espera. Ele é um contragolpeador com traços de boxeador-pugilista, e não o brigador que o estereótipo mexicano sugere.
Supermédio não é meio-pesado: a categoria de Canelo Álvarez
Canelo Álvarez luta na categoria supermédio, que tem limite de 76,2 kg, ou 168 libras. Não é meio-pesado e nunca foi meio-médio, e essa confusão é surpreendentemente comum em português.
Os números resolvem a questão. Meio-médio é 66,7 kg, uma divisão em que Álvarez nunca chegou perto de competir. Supermédio é 76,2 kg, onde ele luta desde dezembro de 2020. Meio-pesado é 79,4 kg, a divisão acima, onde ele lutou exatamente duas vezes: venceu Kovalev em 2019 e perdeu para Bivol em 2022.
O erro está embutido em material de referência brasileiro. A tabela de categorias do Lance!, uma das páginas mais consultadas do país sobre o assunto, imprime "Peso Meio-Pesado" ao lado do limite de 76,2 kg, que é o do supermédio, e omite a divisão dos 79,4 kg por completo. O veículo EmCombate já descreveu Álvarez e Golovkin como "meio-médios", errando por duas divisões. A consequência prática é séria: quem lê essas fontes não consegue distinguir a divisão em que Álvarez foi soberano daquela em que ele foi derrotado.
Há uma regra simples para conferir qualquer texto em português sobre ele. Se a matéria fala em 76,2 kg, a divisão é supermédio, e é onde ele venceu Callum Smith, Billy Joe Saunders, Caleb Plant, John Ryder, Jermell Charlo, Jaime Munguía, Edgar Berlanga e William Scull. Se fala em 79,4 kg, é meio-pesado, e ali existem apenas duas lutas no cartel inteiro dele. Se fala em 66,7 kg, a matéria está errada, porque Álvarez nunca competiu nos meio-médios em nenhum momento da carreira profissional. O número resolve o que o nome confunde.
Cartel e títulos
O cartel profissional de Álvarez é de 63-3-2, com 39 vitórias antes do tempo, em 68 lutas disputadas entre outubro de 2005 e setembro de 2025. O registro completo aparece da luta mais recente para a mais antiga.
| Data | Adversário | Resultado | Método |
|---|---|---|---|
| Terence Crawford | Derrota | Decisão unânime 12 | |
| William Scull | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Edgar Berlanga | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Jaime Munguía | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Jermell Charlo | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| John Ryder | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Gennadiy Golovkin | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Dmitry Bivol | Derrota | Decisão unânime 12 | |
| Caleb Plant | Vitória | TKO 11 | |
| Billy Joe Saunders | Vitória | Desistência 8 | |
| Avni Yıldırım | Vitória | Desistência 3 | |
| Callum Smith | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Sergey Kovalev | Vitória | KO 11 | |
| Daniel Jacobs | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Rocky Fielding | Vitória | TKO 3 | |
| Gennadiy Golovkin | Vitória | Decisão majoritária 12 | |
| Gennadiy Golovkin | Empate | Empate dividido 12 | |
| Julio César Chávez Jr | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Liam Smith | Vitória | KO 9 | |
| Amir Khan | Vitória | KO 6 | |
| Miguel Cotto | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| James Kirkland | Vitória | KO 3 | |
| Erislandy Lara | Vitória | Decisão dividida 12 | |
| Alfredo Angulo | Vitória | TKO 10 | |
| Floyd Mayweather Jr | Derrota | Decisão majoritária 12 | |
| Austin Trout | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Josesito López | Vitória | TKO 5 | |
| Shane Mosley | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Kermit Cintrón | Vitória | TKO 5 | |
| Alfonso Gómez | Vitória | TKO 6 | |
| Ryan Rhodes | Vitória | TKO 12 | |
| Matthew Hatton | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Lovemore N'dou | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Carlos Manuel Baldomir | Vitória | KO 6 | |
| Luciano Leonel Cuello | Vitória | TKO 6 | |
| José Miguel Cotto | Vitória | TKO 9 | |
| Brian Camechis | Vitória | KO 3 | |
| Lanardo Tyner | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Carlos Leonardo Herrera | Vitória | TKO 1 | |
| Marat Khuzeev | Vitória | KO 2 | |
| Jeferson Luis Gonçalo | Vitória | KO 9 | |
| Michel Rosales | Vitória | TKO 10 | |
| Euri González | Vitória | TKO 11 | |
| Luis Antonio Fitch | Vitória | TKO 1 | |
| Raúl Pinzón | Vitória | TKO 1 | |
| Larry Mosley | Vitória | Decisão unânime 10 | |
| Carlos Adán Jerez | Vitória | Decisão unânime 10 | |
| José Miguel Vázquez | Vitória | Decisão unânime 10 | |
| Francisco Villanueva | Vitória | Decisão dividida 10 | |
| Gabriel Martínez | Vitória | Desistência 11 | |
| Francisco Villanueva | Vitória | TKO 9 | |
| Axel Rodrigo Solís | Vitória | KO 1 | |
| Sean Holley | Vitória | TKO 2 | |
| Ricardo Cano | Vitória | Decisão unânime 12 | |
| Christian Solano | Vitória | Decisão unânime 10 | |
| Jesús Abel Hernández | Vitória | TKO 2 | |
| Víctor Emilio Márquez | Vitória | KO 4 | |
| Iván Illescas | Vitória | KO 4 | |
| Javier Martínez | Vitória | TKO 8 | |
| Daniel Martínez | Vitória | KO 2 | |
| Francisco Villanueva | Vitória | KO 5 | |
| Cristian Hernández | Vitória | KO 2 | |
| Juan Hernández | Vitória | KO 2 | |
| Jorge Juárez | Empate | Empate dividido 4 | |
| Pedro López | Vitória | KO 1 | |
| José Miguel Vázquez | Vitória | Decisão dividida 4 | |
| Pablo Alvarado | Vitória | KO 2 | |
| Abraham González | Vitória | TKO 4 |
Títulos mundiais conquistados
- CMB meio-médio ligeiro, vago, em 5 de março de 2011 (Matthew Hatton, decisão unânime)
- AMB (Super) e The Ring meio-médio ligeiro, em 20 de abril de 2013 (Austin Trout, decisão unânime)
- CMB médio, vago, mais The Ring e o reconhecimento linear, em 21 de novembro de 2015 (Miguel Cotto, decisão unânime)
- OMB meio-médio ligeiro, em 17 de setembro de 2016 (Liam Smith, KO 9)
- AMB (Super), CMB e IBO médio, em 15 de setembro de 2018 (Gennadiy Golovkin, decisão majoritária)
- AMB (Regular) supermédio, em 15 de dezembro de 2018 (Rocky Fielding, TKO 3)
- FIB médio, em 4 de maio de 2019 (Daniel Jacobs, decisão unânime)
- OMB meio-pesado, em 2 de novembro de 2019 (Sergey Kovalev, KO 11)
- AMB (Super), CMB e The Ring supermédio, em 19 de dezembro de 2020 (Callum Smith, decisão unânime)
- OMB supermédio, em 8 de maio de 2021 (Billy Joe Saunders, desistência 8)
- FIB supermédio, completando o título indiscutível, em 6 de novembro de 2021 (Caleb Plant, TKO 11)
- FIB supermédio, retomando o título indiscutível, em 3 de maio de 2025 (William Scull, decisão unânime)
Canelo Álvarez entre os grandes boxeadores mexicanos
Canelo Álvarez conquistou títulos mundiais em quatro divisões e foi duas vezes campeão indiscutível dos supermédios, e a Sportico estimou em setembro de 2025 que a receita bruta de carreira dele chegou a cerca de 800 milhões de dólares em vinte anos. Em conquistas verificáveis, essa é a posição dele na linhagem mexicana, e ela é diferente da de Julio César Chávez.
A comparação é inevitável no México e rende mais com números do que com opinião. Chávez chegou a 89 vitórias e um empate antes de perder pela primeira vez, para Frankie Randall, em 29 de janeiro de 1994, e foi campeão mundial em três divisões numa era com menos organizações e menos cinturões em disputa. Álvarez tem 63 vitórias, três derrotas e títulos em quatro divisões, num período em que existem quatro organismos e em que a unificação virou a medida do valor. São carreiras que respondem a perguntas diferentes: Chávez responde sobre invencibilidade, Álvarez responde sobre amplitude. Também são estilos de boxe distintos, um de pressão contínua e outro de contragolpe.
O que separa Álvarez dos demais mexicanos da geração dele é a disposição de subir de peso. Ele desafiou um campeão dos meio-pesados duas vezes, ganhou uma e perdeu a outra, quando poderia ter permanecido nos 72,6 kg defendendo cinturões contra adversários menores. Nenhuma dessas duas noites era necessária para a carreira dele, e as duas dizem mais sobre o lutador do que qualquer defesa de título rotineira.
As quatro divisões, em quilos
| Divisão | Limite | Primeiro título | Adversário | Lutas na divisão |
|---|---|---|---|---|
| Meio-médio ligeiro | 69,9 kg / 154 lb | Matthew Hatton | 2010 a 2015 | |
| Médio | 72,6 kg / 160 lb | Miguel Cotto | 2015 a 2019 | |
| Supermédio | 76,2 kg / 168 lb | Rocky Fielding | 2018 e desde 2020 | |
| Meio-pesado | 79,4 kg / 175 lb | Sergey Kovalev | 2019 e 2022 |
A tabela mostra por que a carreira dele é difícil de comparar consigo mesma. Entre a primeira e a última divisão há quase dez quilos de diferença de limite, e um lutador que sobe esse tanto não é o mesmo atleta em cada ponta.
Patrimônio e ganhos
As estimativas publicadas sobre o patrimônio de Canelo Álvarez vão de 275 a 300 milhões de dólares entre as fontes que separam patrimônio líquido de receita bruta de carreira, e a Forbes, única que mostrou o cálculo, apontou pelo menos 275 milhões em dezembro de 2023. A revista chegou a esse número somando cerca de 600 milhões de receita bruta com o boxe, antes de impostos, e avaliando os negócios dele em menos de 50 milhões.
Os números maiores que circulam desde 2025 precisam de cuidado. A Sportico informou em setembro de 2025 que a luta contra Crawford elevou a receita bruta de carreira dele para cerca de 800 milhões de dólares em vinte anos. Vários veículos reproduziram esses 800 milhões como se fossem patrimônio. Não são. Receita bruta e patrimônio líquido são grandezas diferentes, separadas por duas décadas de impostos, campos de treinamento, comissões e taxas de sanção.
A parte documentada são as bolsas. Até 2020 a Comissão Atlética de Nevada publicava os valores, e os registros mostram bolsa base de 5 milhões de dólares contra Mayweather em 2013, 5 milhões em cada uma das duas primeiras lutas com Golovkin, 35 milhões contra Daniel Jacobs em 2019, 35 milhões contra Kovalev no mesmo ano e 10 milhões na trilogia de 2022. Nevada parou de divulgar bolsas em 2020, então tudo que veio depois vem de promotores e de apuração jornalística.
Os maiores pagamentos recentes são reportados, não documentados. Turki Alalshikh declarou publicamente que Álvarez recebeu mais de 100 milhões de dólares pela luta com Crawford. O acordo de quatro lutas com a Riyadh Season, assinado em fevereiro de 2025, foi noticiado pela Sportico entre 325 e 400 milhões. E o contrato com a DAZN, anunciado em outubro de 2018 em 365 milhões por onze lutas, produziu apenas três: Álvarez processou em setembro de 2020 pedindo pelo menos 280 milhões e o caso foi encerrado em acordo confidencial em novembro daquele ano.
Vale dizer o óbvio: nenhuma estimativa de patrimônio de atleta tem acesso a declarações fiscais ou contratos. As bolsas de Nevada e os dois contratos com valor noticiado são o que existe de firme. O resto é estimativa.
Vida pessoal
Álvarez casou-se com Fernanda Gómez em maio de 2021, em Guadalajara, poucos dias depois de vencer Billy Joe Saunders. A cerimônia foi privada e não há data exata confiável.
Ele reconheceu publicamente filhos de mais de uma mãe. O número não está estabelecido: as contagens publicadas variam entre quatro e cinco, e a contradição aparece dentro de um mesmo artigo em veículos grandes. Quando as fontes não concordam sobre algo tão básico, o correto é registrar a divergência e parar por aí. Esta página não publica nomes, idades nem localizações.
Fora do ringue ele montou um grupo de empresas no México, entre elas uma rede de postos de combustível, lojas de conveniência, uma promotora de boxe e uma linha de bebidas com tequila. A Forbes avaliou o conjunto em menos de 50 milhões de dólares em dezembro de 2023.
O peso comercial do boxe no México vai muito além dos lutadores. Marcas de equipamento como a No Boxing No Life se firmaram junto ao mesmo público que lota as arenas de Guadalajara e da Cidade do México, em um mercado de luvas e proteções antigo o bastante para ter a própria hierarquia de nomes.
Os irmãos Álvarez e o recorde do Guinness
Os seis irmãos mais velhos de Canelo Álvarez foram boxeadores profissionais e nenhum deles conquistou um título mundial. A distinção importa porque resumos em inglês às vezes os chamam de campeões.
Em 28 de junho de 2008, no Palenque Calle 2, em Zapopan, os sete irmãos Álvarez lutaram na mesma noite, no mesmo evento profissional. O Guinness World Records reconheceu o feito como o maior número de irmãos competindo em um único evento de boxe. Saúl venceu José Miguel Vázquez por decisão unânime em dez assaltos naquela noite.
Rigoberto Álvarez, nascido em 1978, foi o que chegou mais longe: encerrou com 27-4 e 20 nocautes e foi campeão interino da AMB nos meio-médios ligeiros, cinturão que perdeu para Austin Trout por decisão unânime em Guadalajara, em fevereiro de 2011, um mês antes de Saúl conquistar o primeiro título mundial dele. Ramón Álvarez teve a carreira mais longa dos seis e ganhou cinturões regionais, o NABO em 2014 e o CMB US Silver em 2013, perdendo a única chance mundial em 2019. Ricardo Álvarez encerrou em 24-3-3. Gonzalo, Daniel e Víctor fizeram uma ou duas lutas cada e não venceram nenhuma; Gonzalo foi depois eleito prefeito de Zapotlanejo, em Jalisco.


