As bandagens de MMA protegem os nós dos dedos e comprimem os ossos metacarpais para reduzir a carga de impacto a cada soco. Quem vem de uma academia de BJJ costuma subestimar isso até começar a fazer sparring de striking com frequência.
Os dois formatos mais comuns são as bandagens de tecido e as luvas internas. As bandagens de tecido são tiras de 120 a 180 polegadas que você enrola a mão na sequência correta: punho, dedos, pulso e polegar. Dão controle total sobre a compressão e duram anos se lavadas depois de cada treino. As luvas internas são modelos pré-moldados com gel embutido, fecham com velcro no pulso e estão prontas em menos de um minuto. O que você perde é a possibilidade de ajustar a tensão por região da mão.
O comprimento da bandagem muda o quanto ela protege. Uma bandagem de 180 polegadas (4,5 metros) cobre bem os nós dos dedos, dá duas ou três voltas no pulso e ainda termina no polegar. Uma de 120 polegadas é mais leve, mas abre mão do suporte de pulso para isso. Para trabalho no saco, pad work ou sparring, 180 polegadas é o certo. Para sessões de drilling técnico em jiu-jitsu com alguma pancada, uma bandagem de 120 polegadas ou luvas internas que não restrinjam o movimento dos dedos funcionam melhor.
O suporte de pulso é o que mais se ignora. Quem treina MMA em academia de base BJJ foca na proteção de mãos MMA, mas o pulso aguenta pressão dos dois lados: dos socos e das postagens no chão. Em ground and pound ou em clinch com ângulos diferentes, a articulação trabalha fora do alinhamento neutro. Bandagens com camadas firmes no pulso, seja por voltas extras na técnica ou por estrutura embutida nas luvas internas, reduzem o cansaço que aparece nos últimos rounds.
O material interfere no desempenho dentro do treino. Bandagens de algodão são o padrão: transpirantes, laváveis e firmes o suficiente para manter a compressão. Modelos de misto poly-algodão são mais macios no contato com a pele. A bandagem elástica estilo mexicano se adapta melhor ao formato da mão, mas estica com o uso e pode ficar frouxia para o saco em poucas semanas. Para sparring, use a bandagem mais rígida que tiver. Para técnica ou treino regenerativo, elástica ou luvas internas funcionam bem.
Um erro técnico que aparece muito em academias com base no wrestling e no jiu-jitsu: enrolar o polegar como se faz no boxe, com várias voltas para fixar a articulação. Em MMA isso limita o agarre no clinch, o encaixe nas quedas e a pressão no chão. Uma única volta na base do polegar, ou nenhuma com luvas internas, mantém os dedos mais livres para o trabalho de mãos em luta. Não é errado cobrir o polegar, mas a quantidade importa.
A proteção de mãos MMA também depende da limpeza das bandagens. O suor e as bactérias se acumulam rápido, e bandagens sujas perdem elasticidade, ficam com odor forte e começam a desfiar nas costuras antes do esperado. Bandagens de tecido vão na máquina de lavar dentro de um saquinho de proteção para não enrolar. Luvas internas precisam ser lavadas à mão ou perdem a estrutura do gel no ciclo de centrifugação.
Não é ideal para: atletas que treinam exclusivamente grappling, gi ou no-gi, sem striking. Nesses casos as bandagens adicionam volume desnecessário. Se o treino de MMA for quase inteiramente voltado para luta, luvas internas finas são mais práticas que uma bandagem de tecido de 180 polegadas.
A decisão é simples: escolha bandagem de tecido se o treino tem volume significativo no saco ou nas manoplas, porque o comprimento e a compressão ajustável dão melhor suporte de pulso. Escolha luvas internas se treina em dois períodos por dia ou se o tempo de preparação é curto. As duas opções cumprem a função de estabilizar a mão antes de socar, mas por caminhos diferentes, e nenhuma é universalmente melhor que a outra.