Tecido sintético na parte interna da caneleira seca mais rápido entre um treino e outro, mas esquenta mais o pé durante a aula, e esse calor extra é o motivo mais comum de uma criança tirar a caneleira no meio do treino dizendo que incomoda. Um forro com mistura de algodão respira melhor e fica mais confortável em academia sem ar-condicionado, só que demora mais para secar de um dia para o outro. Escolha o forro sintético se a criança treina quase todo dia e a caneleira precisa estar seca na aula seguinte, e prefira o forro com algodão se o treino é só uma ou duas vezes por semana e o conforto pesa mais que a secagem rápida. É essa diferença de rotina, mais do que a marca estampada na caixa, que separa caneleiras de kickboxing infantis boas das ruins.
Quando a canela da criança fica entre dois tamanhos da tabela, o mais seguro é escolher o tamanho menor, não o maior: uma caneleira grande demais desliza durante o chute e para de proteger o ponto certo, enquanto uma canela um pouco justa ainda segura no lugar. Essa lógica é diferente da compra de roupa ou tênis infantil, onde crescer no tamanho maior costuma ser a escolha padrão dos pais.
A fixação também se desgasta com o tempo, não só com o uso na aula. O velcro perde a força depois de algumas dezenas de lavagens ou quando fica exposto ao suor sem secar direito, e é aí que uma caneleira que segurava firme há três meses começa a escorregar mesmo com a medida certa. Prefira modelos com uma faixa de velcro mais larga na fixação principal, que demora mais para perder a aderência do que uma faixa estreita, e evite pendurar a caneleira pela alça de fixação no varal, porque o peso puxado repetidamente na mesma dobra é o que mais acelera esse desgaste.
A cobertura do peito do pé precisa ser parte da mesma peça, não um acessório solto por cima. Um protetor solto desliza para o lado assim que a criança faz o primeiro bloqueio de perna, e nesse momento ela perde a proteção bem na hora que mais precisa dela. Peças com o peito do pé costurado direto na caneleira resolvem esse problema, ainda que fiquem um pouco mais rígidas para dobrar o pé nos primeiros treinos.
A espuma também sofre mais com o trabalho de aparador do que muita gente imagina. Quem já segurou aparadores para uma turma infantil sabe que a criança acerta o golpe em ângulos estranhos, empurrando a canela para os lados em vez de bater reto, e isso desgasta a espuma nas bordas bem mais rápido do que o sparring controlado em si, onde o contato costuma ser mais centralizado. Espuma de célula fechada aguenta melhor esse desgaste lateral do que a espuma mais macia de célula aberta, que amassa nas bordas depois de poucos meses de aula em turma cheia.
Como saber a hora certa de trocar de tamanho? O sinal mais confiável não é o calendário, é a posição da tira superior: quando ela passa a ficar embaixo do joelho em vez de logo abaixo dele, ou quando o pé já enche o espaço do peito do pé sem sobra nenhuma, é hora de subir de tamanho, não antes. Trocar cedo demais, só porque já se passaram alguns meses, é gastar dinheiro que a criança ainda não precisava gastar em equipamento infantil de kickboxing. Esse produto não é a escolha certa para um adolescente que já veste manequim adulto pequeno: nesse caso o tamanho adulto menor costuma caber melhor e sair mais em conta do que forçar o maior número da linha infantil.
Treino em casa contra saco ou aparador sozinho permite optar por um modelo mais simples e barato, já que não existe parceiro chutando de volta. Aula na academia, com par ou aparador segurado por outro colega, pede a versão mais resistente descrita acima, com fixação mais larga e espuma de célula fechada. Depois de cada treino, tire a caneleira da mochila na mesma hora e deixe secar em local ventilado; guardar úmida logo depois da aula é a forma mais rápida de estragar o velcro e o forro antes mesmo da criança crescer de tamanho.