Duas caneleiras de Muay Thai infantis podem parecer praticamente iguais na foto e ainda assim ter uma diferença enorme na densidade do amortecimento por dentro, e é essa densidade que decide se a canela sofre ou não durante um treino de contato de verdade. Espuma mais macia e fina funciona bem para aula sem contato ou treino de chute no ar, mas achata rápido quando o pé começa a bater em aparador com força. Espuma mais densa, geralmente em duas ou três camadas, seria exagero para uma criança que só treina em casa, mas passa a fazer sentido assim que entra o contato leve contra um aparador ou um colega maior. O amortecimento para canela costuma perder eficiência depois de alguns meses de uso constante, principalmente em espuma de camada única, então uma criança treinando três vezes por semana vai sentir a diferença bem antes de um praticante ocasional.
A maior parte das lesões em caneleiras infantis, quem treina sabe, não vem da canela em si, vem do peito do pé desprotegido. É comum famílias escolherem um modelo que cobre só a canela achando que está resolvido, sem perceber que boa parte dos chutes recebidos em treino de joelhada e clinch pega justamente o peito do pé. Caneleiras com cobertura estendida até o peito do pé resolvem esse ponto cego e valem a pena assim que a criança começa a treinar em dupla, mesmo que o modelo fique um pouco mais pesado no pé. A cobertura estendida também costuma usar uma tira extra por baixo do pé, e é justamente essa tira que mais sofre com o atrito do tatame, então vale checar a costura ali antes de comprar em vez de olhar só o acolchado da frente.
O tamanho certo depende mais da medida real da perna do que da idade da criança. Uma tabela de tamanho infantil de proteção costuma usar a altura ou o comprimento da canela em centímetros, e vale a pena medir de novo a cada poucos meses porque criança cresce rápido demais para confiar só na numeração da caixa. Escolha um tamanho puxado para o justo, não para o folgado, se a criança já faz sparring leve, porque uma caneleira que gira durante o treino não protege mais nada. Se o treino ainda é só aula introdutória sem contato, um ajuste um pouco mais largo não faz tanta diferença. Um jeito simples de checar em casa é ver se a caneleira ainda cobre bem o meio da canela e não gira quando a criança pula ou chuta no ar, porque uma criança de oito anos mais alta às vezes precisa do mesmo número que uma de dez anos mais franzina.
O fechamento em velcro infantil também entra na conta, porque boa parte das crianças coloca e tira o próprio equipamento sozinha antes da aula de Muay Thai kids. Um fechamento simples, de uma faixa larga, costuma durar mais nas mãos de uma criança pequena do que um sistema com várias tiras finas, mesmo que o ajuste fino seja um pouco pior. O velcro costuma ser a primeira peça a estragar em qualquer equipamento infantil, então vale procurar um fechamento reforçado desde o início em vez de trocar a caneleira inteira depois de poucos meses de uso. Muita academia empresta caneleira nas primeiras aulas, mas o equipamento próprio dura mais na mão de quem cuida dele do que o modelo compartilhado que passa por dez crianças diferentes na mesma semana.
Não faz sentido gastar no modelo mais caro da loja para uma criança que ainda está na fase de trocar de tamanho a cada troca de estação, porque o pé cresce bem antes de a espuma perder a função. Um modelo mais reforçado desses não faz tanto sentido para uma criança que treina Muay Thai só como complemento de outro esporte, tipo jiu-jitsu ou judô, e ainda não sobe no tatame para um treino de perna com contato de verdade. Deixar a caneleira secar bem fora da mochila fechada, no dia a dia, evita mofo e prolonga a vida do amortecimento, o que importa ainda mais em equipamento infantil por causa da quantidade de suor e do uso quase diário durante toda a temporada de aulas de Muay Thai.