Equipamento de Jiu-Jitsu bom não é sinônimo de caro, é sinônimo de durar mais rolamento por real gasto. Um kimono mais pesado aguenta mais puxão sem rasgar, mas também esquenta mais e demora mais para secar entre um treino e outro, e essa troca de peso por durabilidade é a primeira decisão real na hora de montar o equipamento de grappling. Quem treina em academia com ar-condicionado sente menos esse peso extra do que quem treina numa sala fechada em cidade quente, então o clima local pesa tanto quanto o bolso na escolha do tecido.
A rash guard é onde a maioria dos iniciantes erra primeiro, porque compra do mesmo jeito que compraria uma camiseta de treino comum, meio folgada. Rash guard frouxa amontoa nas costas e no peito durante uma raspagem e vira exatamente o tipo de pano que o adversário usa para fechar a gola ou puxar o corpo. O certo é comprimir mesmo, quase como uma segunda pele, porque só assim ela para de criar dobra. Isso vale tanto para quem treina com gi quanto para quem só faz no-gi, já que a rash guard é praticamente o único item que atravessa os dois estilos de treino sem mudar.
O tecido do kimono, seja single weave, gold weave ou pearl weave, muda peso, custo e resistência, mas para quem está começando a marca do gi importa menos do que se costuma pensar. O ajuste da rash guard e o tamanho certo do gi fazem mais diferença no primeiro ano de treino do que qualquer selo de fabricante estampado na gola. Um single weave básico já aguenta tranquilo duas ou três aulas por semana sem desfiar rápido, e trocar para um tecido mais reforçado só compensa quando a rotina de treino aumenta de verdade.
O tamanho do kimono segue tabela de altura e peso de cada marca, e não uma numeração padrão entre fabricantes diferentes. Manga e barra da calça também têm limite de sobra em relação ao pulso e ao tornozelo quando o assunto é competição, então um gi que parece confortável no espelho da loja pode ficar fora dos padrões na pesagem do campeonato. Quem não compete não precisa se preocupar com essa régua, mas vale considerar de qualquer forma, porque um gi muito largo atrapalha a pegada do próprio aluno tanto quanto a do adversário.
Para quem só faz no-gi, ou mistura os dois estilos, os shorts de grappling e as calças de compressão substituem o kimono como itens para rolamento do dia a dia. Um short comum de academia rasga na virilha depois de algumas semanas de raspagem, enquanto um short pensado para grappling tem reforço de costura justamente nesse ponto. A calça de compressão por baixo, além de segurar o short no lugar durante a luta, funciona como material de treino no chão que mantém o músculo aquecido em aulas mais longas.
Lavar o kimono com água fria e secar à sombra evita boa parte do encolhimento que estraga o caimento depois de poucos meses, e guardar a roupa suada dentro da mochila até o próximo treino é o jeito mais rápido de estragar o tecido e criar cheiro que não sai mais. Quem treina só no-gi não precisa se preocupar com peso de tecido de kimono, porque essa escolha inteira nem entra na lista de compras dessa pessoa. Iniciante não precisa do equipamento completo logo na primeira semana; o ideal é ir comprando conforme a frequência de treino se firma.
Nas competições de Jiu-Jitsu as regras de cor do kimono, branco, azul ou preto dependendo da faixa e da idade, e os limites de manga e barra são fiscalizados na pesagem, então vale confirmar as regras da federação antes de comprar para torneio. Escolha um kimono mais leve se o treino é recreativo e o clima é quente. Priorize rash guard e calça de compressão primeiro se o foco é no-gi. Suba para um tecido mais reforçado só quando a rotina de treino e a meta de competir estiverem confirmadas, porque antes disso o gasto extra não compensa. Orelha e dedos são as duas áreas que mais cobram fatura com o tempo: proteção auricular e fita para dedos entram na mochila antes do primeiro sinal de dor, não depois.