Um erro comum é comprar um kimono feminino numa cor bonita e descobrir na inscrição do campeonato que ele não é aceito. As regras da IBJJF liberam só branco, azul e preto para competição, com faixas específicas do kimono reservadas para patches, e um kimono aprovado pela IBJJF fora dessas três cores simplesmente não existe. Um gi rosa, camuflado ou com estampa funciona liso para o treino e o open mat, mas fica fora de qualquer torneio sancionado, mesmo que a loja anuncie o modelo como "competição". Quem pretende competir em algum momento economiza dor de cabeça comprando direto numa dessas três cores, mesmo que o modelo colorido pareça mais atrativo na hora da compra. Verifique também as regras da federação local antes de inscrever num campeonato menor, porque algumas variam o tamanho e a posição dos patches em relação ao padrão IBJJF.
O tecido trançado do kimono muda peso, secagem e durabilidade, e essa é a segunda decisão depois da cor. Pearl weave é mais leve e seca em menos tempo, o que ajuda quem treina quase todo dia e não tem tempo de esperar o kimono secar entre uma sessão e outra. Gold weave pesa mais e demora bem mais para secar, mas aguenta mais tempo de agarrão no colarinho e nas mangas antes de rasgar, o que compensa para quem treina raramente ou guarda o kimono só para competir. Prefira pearl weave se a rotina inclui treino quase diário e uma mochila sem ventilação, porque o gold weave molhado no dia seguinte vira um problema maior do que a durabilidade extra resolve.
O tamanho certo sai do cruzamento entre altura e peso numa tabela de medidas por altura e peso, não de uma letra P, M ou G copiada de outra peça de roupa. Duas marcas na mesma letra podem entregar mangas e pernas de comprimentos bem diferentes, principalmente entre marcas asiáticas e marcas com corte pensado para o público latino-americano. Kimono de algodão sem pré-encolhimento perde comprimento já na primeira lavagem quente, então quem compra esse tipo costuma pedir um tamanho acima do indicado na tabela para compensar. Meça com fita métrica antes de comprar em vez de comparar com uma camiseta de treino, porque o caimento de um kimono não segue a mesma lógica de uma peça esportiva comum.
Manga ou perna sobrando não é só questão estética, é risco de segurança dentro do tatame. Um kimono com manga passando do pulso dá ao parceiro de treino tecido extra para fechar uma finalização ou puxar num raspão, e depois do primeiro banho quente o kimono ainda vai encolher mais um pouco além do previsto. Vale comprar já pensando nesse encolhimento em vez de ajustar depois, porque um kimono que fica curto demais também atrapalha a raspagem e a passagem de guarda nas semanas seguintes. Um kimono bem ajustado se percebe já no primeiro treino: a gola não abre sozinha e a barra da calça não arrasta no tatame.
Quem compete sabe que o corte feminino ajuda na hora da pesagem e da revista, mas o tecido errado pode custar caro se a faixa não fechar do jeito certo depois de um treino puxado. Um kimono de entrada com colarinho fino desgasta rápido no primeiro semestre de treino, enquanto um modelo reforçado custa mais na compra mas aguenta muito mais rounds de agarrão sem abrir a costura do colarinho. Este guia não é ideal para quem já vai competir em breve e precisa de um kimono aprovado pela IBJJF com corte certo: nesse caso, o caminho mais direto é ir logo num modelo de competição em vez de um kimono de treino comum. Compare o peso declarado em gramas por metro quadrado quando dois kimonos do mesmo trançado parecerem iguais na descrição, porque esse número separa um modelo realmente leve de um modelo só anunciado como leve. Um kimono com bom reforço na gola e nos joelhos custa mais na primeira compra, mas sai mais barato por ano de treino para quem pisa no tatame quatro ou cinco vezes por semana, já que não precisa trocar de kimono no meio da temporada.