Nem toda criança que treina boxe precisa de proteção facial de boxe kids com cobertura total, e essa é a primeira pergunta que vale responder antes de comprar. Quem só treina shadow boxing ou bate no aparelho sozinho, sem parceiro e sem nenhum contato, não precisa do modelo mais protegido da linha, um capacete mais simples já cumpre o recado. Já a criança que começa a fazer manopla com o professor ou qualquer round leve com colega precisa de cobertura de bochecha e queixo, porque um golpe solto ainda acontece mesmo quando ninguém está tentando nocautear ninguém. Professores de boxe infantil no Brasil costumam preferir o modelo de cobertura total mesmo para o treino leve, porque criança de 8 a 10 anos ainda não tem o reflexo de defesa treinado o suficiente para evitar um golpe que chega sem querer, e é melhor a proteção estar lá antes que o reflexo apareça. Escolha o modelo de cobertura total se o treino já envolve qualquer contato com parceiro, porque a segurança pesa mais que o peso extra nessa fase. Escolha o modelo mais leve se o treino é só aparelho e técnica, porque ali o peso a mais no pescoço não compra proteção nenhuma, só cansaço.
A abertura para os olhos é outro ponto que passa despercebido. O rosto de uma criança é menor que o de um adulto, e quando o capacete é só uma versão reduzida do modelo adulto, a abertura pode ficar deslocada e cortar a visão periférica bem no ângulo onde um golpe lateral aparece primeiro. Isso muda a forma como a criança reage, porque ela simplesmente não vê o soco chegando a tempo de levantar a guarda. Vale testar o capacete no rosto da criança e pedir para ela olhar de um lado para o outro antes de fechar a compra, em vez de confiar só na tabela de tamanho do site. Um capacete que parece do tamanho certo na embalagem pode ainda assim tampar a visão se a abertura não estiver alinhada com o olho da criança.
O peso do capacete pesa mais no pescoço de uma criança do que os pais costumam imaginar. Um capacete pesado demais cansa o pescoço em poucos minutos de treino, e um pescoço cansado deixa a guarda cair sem que ninguém perceba na hora, o que é justamente quando mais golpes passam. Espuma de célula fechada bem feita protege tanto quanto uma espuma grossa, só que pesa menos, e isso conta muito ao longo de uma aula inteira. No fechamento, o velcro domina o capacete de sparring infantil por um motivo prático: um professor que ajusta capacete de dez crianças numa aula em grupo não tem tempo de amarrar cadarço um por um, então o velcro resolve mais rápido e ainda dá para reajustar no meio do treino se a criança reclamar que está apertado. Cadarço até seria mais firme uma vez amarrado certo, mas numa aula cheia de criança pequena, quase ninguém amarra sozinho, e um capacete mal amarrado é o primeiro a desalinhar quando o soco chega.
O tamanho certo depende da circunferência da cabeça da criança, não da idade impressa na embalagem, e comprar um número acima achando que vai durar mais é o erro mais comum entre os pais. Um capacete largo escorrega assim que a criança começa a se mexer, e ela para o exercício toda hora só para ajeitar no lugar, o que quebra o ritmo da aula e tira a atenção bem na hora de aprender a postura de guarda. Sobre a cor, muita academia pede um capacete numa cor clara ou chamativa para o professor identificar de longe qual criança está fazendo contato numa aula cheia, e isso conta mais do que parece quando o equipamento de boxe para crianças precisa ser supervisionado o tempo todo, não só no início do treino. Essa coleção não é para quem treina só aparelho sozinho sem nenhum contato, aí um modelo básico já resolve. Ela serve para quem já faz manopla, sparring leve ou qualquer treino de contato com parceiro, onde cobertura, peso e ajuste certo decidem se o capacete continua no lugar até o fim da aula, round após round, sem precisar ajeitar toda hora.