Calçado branco de boxe divide academias. Quem treina há anos sabe o que significa ver alguém entrar com o par branco impecável: ou é cuidadoso com equipamento, ou não treina tanto quanto parece. O branco é honesto nesse sentido, não esconde o descuido.
No Brasil, a maioria das sapatilhas brancas disponíveis no mercado é de sintético. O sintético limpa mais fácil na superfície, mas absorve suor internamente e, em clima úmido, pode desenvolver cheiro e rachaduras nos pliegues de flexão se não for cuidado. O couro genuíno branco é mais raro e mais caro, amarelece nas costuras com o uso, mas aguanta mais tempo com a estrutura intacta se receber hidratante regular.
Nas academias de São Paulo e Rio onde se mistura muay thai e boxe, a sapatilha branca aparece mais no boxe por uma questão de identidade visual. No muay thai, o padrão histórico é treinar descalço ou com sapatilha preta, o que contrasta com o branco. Quem transita entre as duas modalidades geralmente mantém dois pares.
Cano alto branco é mais usado em sparring e combate, onde o suporte ao tornozelo tem mais função. Cano baixo branco aparece mais em treinos técnicos e circuitos. Nos dois casos, a limpeza necessária é a mesma, o que muda é o acúmulo de suor no interior, que é maior nas de cano alto por cobrir mais área.
Sapatilhas de boxe brancas não são adequadas para treino em superfícies ásperas, piso de cimento descoberto ou ao ar livre. O material se degrada rápido fora do ringue ou do tatame. Se o local de treino não tem piso adequado, optar por cor escura que disfarce o desgaste superficial é mais prático.