Deixar a criança treinar com tênis comum, sem qualquer suporte extra no tornozelo, é o erro que mais aparece entre quem está comprando o primeiro par para o filho. A altura da cana é o que decide o quanto o tornozelo fica protegido durante o treino, e cana média ou alta trava parte do movimento lateral do pé, o que parece ruim à primeira vista, mas é exatamente o que compensa a força estabilizadora que o tornozelo infantil ainda não desenvolveu sozinho. Bota de cano alto oferece mais suporte, mas também mais peso e menos liberdade de movimento, o que pode atrapalhar crianças mais avançadas que já treinam pivô e esquiva com frequência. Vale notar que o termo muda conforme a marca: "bota de boxe" costuma indicar cana mais alta, enquanto "sapatilha" indica um perfil mais baixo e flexível, mas os fabricantes nem sempre seguem essa distinção à risca, o que confunde bastante na hora da compra. Cana baixa fica melhor reservada para quem já compete, não para quem está calçando sapatilhas e tênis de boxe infantis pela primeira vez.
Sola lisa não é sinônimo de sola escorregadia, mesmo que pareça o contrário para quem nunca pisou numa lona de boxe. A maioria dos pais evita sola lisa achando que a criança vai escorregar, mas numa lona de boxe é exatamente a sola lisa e macia que permite o pivô do pé de forma limpa, o tênis com sola grossa de corrida é que trava o giro e acaba forçando o joelho a torcer junto com o pé. O ponto de flexão da sola também importa bastante: uma sola que dobra perto dos dedos deixa o pé rolar durante o pivô, enquanto uma sola rígida nessa região empurra a criança a girar apoiada no calcanhar, algo bem menos estável no meio de uma combinação de golpes. Um calçado de boxe para criança bem escolhido nessa parte evita boa parte das quedas de equilíbrio nas primeiras semanas de treino, principalmente quando a criança ainda está aprendendo a distribuir o peso entre os dois pés durante a esquiva.
O fecho muda conforme a idade da criança, e o velcro costuma ser a escolha certa até os oito ou nove anos, porque amarrar um cadarço com firmeza suficiente para durar um treino inteiro é uma habilidade motora que a maioria ainda não tem consolidada nessa fase, e um cadarço frouxo dentro do ringue vira risco de tropeço real durante um exercício de deslocamento. Cadarço tradicional entra depois, quando a criança já tem coordenação para apertar e segurar o nó sozinha, e costuma manter o ajuste por mais tempo do que o velcro, que perde força de aderência depois de meses de uso constante no tatame ou na lona. O peso do tênis infantil de boxe conta bastante nessa equação também: um par pesado cansa a perna de uma criança bem mais rápido, proporcionalmente, do que cansa a de um adulto, então entre dois pares parecidos, o mais leve costuma vencer para quem está começando a treinar agora.
Em material, o sintético seca mais rápido entre um treino e outro, o que importa bastante no calor brasileiro e para quem treina duas ou três vezes por semana, enquanto o couro legítimo demora mais para secar e raramente compensa o investimento no primeiro par, já que a criança tende a trocar de numeração antes mesmo de gastar o couro de verdade. Comprar uma bota de boxe júnior em couro legítimo logo de início raramente compensa financeiramente, dado o ritmo de crescimento do pé infantil nessa fase. Um espaço de um dedo na ponta já é suficiente para acomodar esse crescimento sem atrapalhar o pivô, espaço a mais do que isso só faz o pé escorregar dentro do calçado bem na hora que mais precisa de firmeza, e espaço de menos prende os dedos e atrapalha a flexão da sola descrita acima. Numeração incerta costuma ser motivo de troca dentro do prazo normal da loja, então vale medir o pé parado e com a criança em pé antes de fechar a compra, porque o pé alonga alguns milímetros só com o peso do corpo em cima dele. Preço entra na conta assim que material, cana e fecho já foram decididos, não antes. Um par de gama média em sintético costuma resolver bem uma temporada inteira de treino recreativo, e gastar mais do que isso só se justifica quando a criança já compete com regularidade e o desempenho da sola realmente faz diferença no resultado. Sapatilhas e tênis de boxe infantis mais baratos tendem a usar o mesmo tipo de sola das versões premium, a diferença normalmente está no acabamento e na durabilidade do fecho, não na parte que afeta o pivô.