O erro mais comum é ignorar o comprimento e a mobilidade do quadril na hora de comprar, escolhendo um shorts de MMA feminino só pela estampa. Muitas academias brasileiras têm mais alunas de jiu-jitsu do que de MMA propriamente dito, e não é raro ver o mesmo shorts sendo usado só nos dias de treino misto ou wrestling, intercalado com o kimono no resto da semana. Um shorts mais comprido protege mais a coxa contra assadura de tatame, mas reduz o alcance do chute alto, e essa é a troca que toda praticante de MMA enfrenta na hora de escolher o comprimento certo. O corte feminino difere do masculino reduzido de tamanho porque usa cintura mais alta e entreperna mais curta, acompanhando melhor o quadril durante a passagem de guarda. Um shorts masculino só reduzido de tamanho mantém a mesma proporção, apenas menor, e acaba folgado na cintura ou apertado na coxa, o que atrapalha mais o movimento do que o tecido em si. Quem vem do jiu-jitsu de kimono costuma estranhar a ausência da faixa nas primeiras aulas de MMA, e demora um pouco para se acostumar com o cordão como único ponto de ajuste na cintura. No Brasil é comum achar peça de marca nacional e importada lado a lado na mesma prateleira, e a numeração muda bastante entre elas: o P de uma marca nacional pode sair mais largo que o P de uma importada, então vale conferir a tabela específica de cada marca antes de fechar a compra em vez de confiar só na letra do tamanho.
A fenda lateral na altura do quadril não é só estética, ela libera o joelho para subir numa joelhada ou num chute alto sem o tecido puxar contra o movimento. Um shorts com costura reta na lateral da coxa trava esse mesmo movimento e enruga na virada de quadril durante uma raspagem. Fivela ou zíper exposto na cintura é outro sinal de shorts feito para uso casual e não para tatame, porque a peça de metal pode arranhar o parceiro de treino durante um clinch ou prender no tecido do kimono do adversário. Em academias de bairro com tatame mais simples e menos amortecido, o atrito do chão desgasta a lateral da coxa bem mais rápido do que em uma estrutura mais nova, o que torna a qualidade do tecido ainda mais decisiva na hora de escolher.
Um tecido respirável com friso elástico na cintura garante um ajuste anatômico que segura o shorts no lugar sem marcar a pele durante um treino longo, ao contrário de um friso grosso demais que aperta e deixa marca depois de uma hora de aula. Tecido fino demais também é um problema à parte: ele fica quase transparente quando esticado numa passagem de guarda profunda, o que pega muita praticante de surpresa na primeira lavagem, quando o tecido já vem meio fino de fábrica em vez de ganhar esse problema só depois de meses de uso. Para quem treina só em casa ou em aula avulsa, vale escolher pelo conforto no dia a dia; já para quem vai competir, um caimento mais discreto sem excesso de tecido solto ajuda a evitar apontamento na pesagem, já que boa parte das organizações exige um uniforme mais ajustado ao corpo. Esse tipo de shorts não é a melhor opção pra quem treina jiu-jitsu de kimono de forma exclusiva, já que o kimono usa faixa própria e não depende do fechamento de cintura do shorts de MMA. Na lavagem, água fria e ciclo delicado conservam o elástico por mais tempo, e amaciante em excesso prejudica esse tipo de tecido, porque a camada que ele deixa nas fibras reduz a elasticidade da cintura aos poucos. Secar no varal em vez de usar máquina de secar também evita que o calor direto desbote a estampa mais rápido, um cuidado simples que faz diferença em quem treina praticamente todos os dias da semana. Depois das primeiras lavagens vale esticar rapidamente o elástico da cintura com a mão para conferir se ele ainda volta ao formato original, porque uma peça que já nasce com pouca elasticidade só piora com o tempo e não é defeito que a loja costuma trocar depois de usada.