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TUFF

TUFF costuma aparecer na busca de quem já treina e resolveu trocar a mala inteira de uma vez. Antes de fechar marca, vale abrir o equipamento de Muay Thai e ver o que realmente falta. Quem está montando tudo do zero costuma resolver pelos kits de Muay Thai. Da marca tailandesa, o carro-chefe são os shorts e calções de Muay Thai TUFF. E ninguém fecha a lista sem os protetores bucais de Muay Thai, que é o item que mais some no dia a dia.

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Wootinun Sungong criou a TUFF em Bangcoc depois de passar anos vendendo material de Muay Thai pela internet e enxergar um mercado inteiro repetindo o mesmo desenho. Ele vinha do comércio, não da fábrica. Vendia estoque dos outros, despachava caixa atrás de caixa e reparava que short de Muay Thai era sempre a mesma coisa: dois painéis de cor, logotipo quadrado, tipografia igual. Foi essa leitura de mercado, e não uma carreira de atleta profissional, que abriu a empresa em 2003. O detalhe importa porque marca criada por lojista costuma nascer olhando para o que falta na prateleira, e não para o que a fábrica já sabe produzir. Isso ainda aparece hoje no jeito como a linha é organizada, com roupa no centro e o resto do equipamento girando em volta dela.

A primeira coleção foi de camisetas. Os shorts vieram logo em seguida e foi ali que a coisa pegou, porque a arte tailandesa entrou de verdade no produto: murais de templo, tatuagem yantra, e mais tarde referências japonesas e chinesas. Nada disso era decoração aleatória. Era o argumento de venda inteiro da marca, num momento em que ninguém no Muay Thai estava tratando short como peça de identidade. Até o nome carrega essa origem de loja virtual, encurtado a partir do Muay Thai Stuff que ele tocava antes. Vinte anos depois, é esse desenho que o comprador reconhece de longe no vestiário, antes mesmo de ler a etiqueta.

Em 2009 a empresa montou a própria fábrica de costura na Tailândia, e esse é o ponto que separa a empresa de boa parte das etiquetas que surgem e somem. Fábrica própria significa ciclo curto de criação e tiragem pequena, que é o que uma marca movida a desenho precisa. Também abriu espaço para o resto do catálogo: luvas, caneleiras, aparadores, manoplas e tornozeleiras entraram depois disso. O acabamento artesanal continua saindo da Tailândia, com espuma em camadas sobre couro nas luvas e microfibra sublimada nos shorts, que é o que permite estampa de peça inteira sem deixar o calção pesado ou abafado. Linha própria explica ainda por que a empresa consegue lançar estampa nova sem esperar meses por um fornecedor de fora.

Vale um aviso sobre corte, porque é onde mais gente erra. A cintura elástica larga é a solução tailandesa clássica e segura melhor no clinche do que cordão sozinho, o que muda a lógica de tamanho: apertar na cintura tira justamente a mobilidade que o modelo tenta entregar. Muita gente compara só o preço entre marcas tailandesas e assume que são todas iguais, quando a diferença está em quem fabrica o quê: umas nasceram fazendo proteção pesada, a TUFF nasceu fazendo roupa e continua mais forte nisso. Uma peça mal modelada trava o movimento antes de rasgar, e quem treina sabe disso. E como o acabamento artesanal envolve gente costurando peça por peça, existe pequena variação entre lotes: confira a costura da cintura e do gancho quando o pedido chegar, porque é ali que qualquer diferença aparece primeiro. Outro engano comum é achar que caneleira segue a mesma lógica de tamanho do short. Não segue, e caneleira precisa ser provada com a bandagem e a meia que você usa no treino de verdade.

Fechando na decisão de compra: a marca faz sentido para quem treina Muay Thai ou kickboxing com frequência e quer um visual próprio no tatame, porque é exatamente para isso que a empresa existe desde 2003 e a costura é tailandesa de ponta a ponta. Não faz sentido para quem treina quase só grappling e mal encosta no striking, já que a linha inteira gira em torno da luta em pé. A troca honesta é essa: estampa forte envelhece em estilo antes de o tecido dar sinal de cansaço, então quem quer uma peça neutra para durar cinco anos vai se incomodar. Compare com fabricantes mais antigos se a prioridade for variedade de densidade de espuma em proteção, e fique com a TUFF se a prioridade for roupa bem feita que aguente treino pesado. Quem treina duas vezes por semana dificilmente extrai o valor da peça, e nesse caso quase qualquer calção resolve. Para competição sancionada, confira antes o regulamento da federação sobre uniforme.

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