Tabela de idade não é o jeito mais confiável de escolher o ajuste do kimono para crianças, porque duas crianças da mesma idade podem precisar de dois tamanhos bem diferentes dependendo da altura e do biotipo, e a etiqueta do fabricante raramente dá conta desse detalhe. O ideal é medir a altura real da criança e deixar uma folga na manga e na perna da calça, que dá pra dobrar enquanto o corpo cresce, em vez de comprar um kimono que serve certinho hoje e fica curto em poucos meses de treino. O cordão da calça merece atenção redobrada nessa fase: um cordão frouxo ou uma perna comprida demais é motivo comum de a criança pisar na própria calça no meio de uma passagem de guarda e cair de um jeito estranho no tatame, então vale testar o ajuste, puxar o cordão e ver se ele segura firme antes mesmo da primeira aula. Um kimono um pouco mais largo no ombro também incomoda menos do que um justo demais que trava o movimento do braço, e a manga comprida se resolve fácil com uma dobra na altura do punho. Vale medir a criança de novo a cada poucos meses, porque o ritmo de crescimento muda bastante entre os seis e os doze anos, e um kimono comprado sob medida em janeiro pode não servir mais no meio do ano.
Quem treina com crianças há mais tempo costuma dizer que o reforço na gola e nos joelhos importa mais do que a marca estampada na etiqueta, porque é ali que o kimono infantil para treino sofre primeiro com puxão de gola e arrasto no chão, muito antes de qualquer outra parte da peça dar sinal de desgaste. Cor e estampa também entram na conta assim que a criança começa a competir: muitas ligas e academias pedem kimono branco, azul ou preto em campeonato, mesmo liberando estampa livre no treino comum, então essa peça estampada não é a mais indicada para quem já treina numa academia com regra de uniforme rígida sem confirmar isso antes com o professor. Vale escolher um kimono estampado se o objetivo é só o treino do dia a dia, e guardar a versão lisa e branca ou azul para quando a competição entrar no calendário da temporada. Um corte mais justo pode até ficar melhor na foto do exame de faixa, mas atrapalha a passagem de guarda e não acompanha o crescimento da criança dentro da mesma peça por muito tempo. Gola dupla costurada e joelheira reforçada de fábrica custam um pouco mais na etiqueta, mas evitam rasgo logo nas primeiras semanas de treino puxado, o que no fim sai mais barato do que trocar de kimono duas vezes no mesmo ano.
A gramatura do kimono infantil é o que determina se o tecido é leve ou pesado, e a maioria das crianças se sai melhor com gramatura mais baixa, entre 6 e 9 onças, porque pesa menos e não atrapalha o movimento numa aula cheia de gente e calor. Tecido mais pesado dura mais e resiste melhor ao puxão constante, mas também esquenta mais e trava mais a raspagem de uma criança que ainda está aprendendo a se mexer no chão, então vale reservar essa opção pra quem já compete com frequência toda temporada. Na hora de fechar a compra, um kimono de gramatura média com reforço na gola custa um pouco mais do que o modelo mais simples, mas costuma sobrar pro irmão mais novo depois de uma temporada inteira de treino, o que no fim das contas compensa o preço mais alto pago no início da compra. Lavar em água fria e secar longe do calor direto ajuda a manter o tamanho por mais tempo, já que o calor da secadora é o maior responsável por encolher a peça antes da hora, às vezes uma numeração inteira depois de poucas lavagens erradas logo no começo do uso. Vale separar o kimono das outras peças de roupa na lavagem, porque o atrito com zíperes e velcro também desgasta o tecido mais rápido do que o esperado.