O corte de um kimono leve muda bastante entre marcas, então dois modelos com a mesma gramatura do tecido podem servir de forma completamente diferente no ombro e na perna. Corte competição fecha mais no corpo e favorece quem passa guarda com frequência, enquanto corte tradicional deixa mais espaço para atletas mais altos ou mais largos que sentem o kimono apertado no treino. O que realmente decide a durabilidade não é só o peso declarado na etiqueta, e sim o tipo de trama usada na tecelagem. Uma trama simples mais barata rasga antes de uma trama reforçada, mesmo quando os dois kimonos pesam praticamente o mesmo. Vale conferir a tabela de medidas de cada marca antes de comprar, porque o tecido mais fino tem menos estrutura para segurar o caimento e um manequim padrão nem sempre serve entre fabricantes diferentes.
Escolha um kimono leve se você treina em academia quente ou faz mais de uma sessão no mesmo dia, porque o tecido solta calor mais rápido e seca antes do próximo treino. Evite essa opção se seu jogo é baseado em pressão e pegada constante na gola, porque a gola de um kimono leve costuma ser a primeira parte a rasgar quando alguém puxa forte o tempo todo. Muita gente, sendo direto, escolhe o kimono pela marca estampada na gola e esquece de olhar a gramatura do tecido e o tipo de trama, que dizem muito mais sobre quanto tempo aquele kimono vai durar no tatame. Um kimono leve bem construído aguenta uma temporada inteira de treino regular, um mal construído rasga na gola em poucos meses. O joelho é outro ponto fraco comum, principalmente para quem treina passagem de guarda no chão com frequência, então vale olhar se a calça tem reforço extra nessa área antes de fechar a compra.
Faixa branca costuma sofrer menos com um kimono leve, porque a pegada ainda não é forte o suficiente para rasgar a trama simples rápido. Já quem compete com frequência tende a guardar um kimono leve só para pesagem ou para dias de calor extremo, quando cada grama a menos ajuda na hora de bater o peso da categoria. Quem treina cinco ou seis vezes por semana faz sentido ter mais de um kimono no armário, independente da gramatura, porque revezar dá tempo para o tecido secar direito e não guardar cheiro de mofo na mochila. A base infantil de faixas coloridas também costuma sair ganhando com um kimono mais leve, já que criança cresce rápido e trocar de tamanho com frequência pesa menos no bolso quando o modelo não é o mais caro da loja.
A cor do kimono entra na conta também. Um kimono leve escuro disfarça suor e manchas depois de um treino puxado sem perder nada de resistência, enquanto um kimono branco leve pede lavagem mais frequente para não amarelar com o tempo, principalmente para quem treina em academias sem ar-condicionado no Nordeste ou no Centro-Oeste. Isso não muda a durabilidade da trama, é só questão de manutenção e aparência entre uma competição e outra. Vale secar o kimono à sombra sempre que possível, porque sol direto por muitas horas seguidas desbota a cor mais rápido num tecido fino do que numa trama dupla mais encorpada e mais resistente.
Um kimono leve custa menos que um kimono de trama dupla ou gold weave, o que faz sentido para quem quer um segundo kimono para treinos frequentes sem gastar o mesmo de novo. Lave sempre em água fria, porque o algodão mais fino de um tecido leve encolhe mais rápido em água quente do que o algodão de uma trama dupla. Kimonos e gis de Jiu-Jitsu leves não são a melhor escolha para quem compete num jogo de pressão e wrestling, com a gola sendo puxada o treino inteiro, porque é justamente essa a situação em que a trama simples cede primeiro. Para quem treina no ritmo normal de aula, o ganho em mobilidade compensa a troca, e trocar de kimono a cada duas ou três temporadas já é considerado normal para esse tipo de tecido mais fino.